Dados são o novo combustível das seguradoras

Crédito: Freepik

Com uma carteira de 4 milhões de clientes, proporcional à população do Uruguai em número de habitantes, a Sul América Seguros tem conseguido tornar seus processos mais dinâmicos e ágeis, graças ao uso intensivo de tecnologia e dados. 

“Antes da pandemia tínhamos uma média de 500 teleconsultas por mês, atualmente são 700 mil. É a tecnologia a favor do cliente”, disse Marco Antunes, VP de operações, tecnologia e inovação da Sul América, durante evento virtual da Neurotech, realizado esta semana.

A evolução nos últimos 18 meses de pandemia permitiu à empresa fazer melhor o seu trabalho e se reinventar, extrapolando o mundo da saúde por meio de Apps. A partir de uma teleconsulta médica, segundo Antunes, a seguradora pode até encaminhar um cliente, quando necessário, diretamente ao Posto de Atendimento de um hospital, graças à estratégia de dados assertiva. 

Dados geram informações, que por sua vez são capazes de gerar ofertas de produtos e serviços, assim como decisões. As grandes seguradoras, que detém recursos e capital, têm se beneficiado do trabalho realizado em parceria com as insurtehcs. O modelo para o sinistro de auto desenvolvido pelo Bradesco Seguro em conjunto com uma startup trouxe agilidade e velocidade ao processo. 

“Simplificar a jornada do cliente é o nosso principal propósito e o desenho do produto é focado na construção do serviço daqui para frente, ou seja, com melhorias a serem aproveitadas para o futuro, por meio de APIs. Mas para isso é preciso estar conectado ao ecossistema de inovações”, disse Saint’claire Lima, diretor de produtos do Bradesco Seguros.

As insurtechs facilitam o acesso das seguradoras a ferramentas tecnológicas de dados disponíveis no ecossistema de inovações. Antes da pandemia, a HDI Seguros usava pouco seus aplicativos. Atualmente, 80% dos negócios da empresa foram digitalizados, com o apoio de parcerias estabelecidas com o Distrito, para tratar das questões relacionadas à inovação, e Neurotech, no aporte de dados. “Inovação é transformar algo que já funciona e fazer de forma mais fácil”, observou Marcelo Moura, diretor de produtos da HDI Seguros.

Evolução em ciclos

Desde 2010, as seguradoras vêm passando por um longo processo de transformação que ocorre em ciclos, conforme observou Fábio Leme, conselheiro estratégico de seguradoras e investidor de startups. O primeiro deles foi o aprofundamento do portfólio, permitindo às empresas conhecerem suas apólices e clientes, a partir de  informações coletadas durante a venda de produtos e serviços.

Na segunda onda, estudaram as cotações realizadas e não fechadas, que trouxeram novas perspectivas ao negócio. Em seguida, aprenderam a transformar dados em informações para análise de risco e precificação. Na quarta fase, mais próximo do que se vive hoje, as seguradoras adotaram o cross industry, ou seja, passaram a usar dados e canais de outras empresas para aprimorar modelos de riscos, vendas e propensão. 

“Trata-se do uso genuíno de Big Data e a parceria do Santander Auto com a HDI Seguros, na criação de um modelo de negócio usando dados de crédito para aceitação, é um exemplo emblemático disso”, disse o consultor. Para ele, a chegada do IoT, internet das coisas, e da tecnologia 5G vai provocar uma grande revolução no mercado de seguros no país, permitindo uma grande inclusão de clientes. 

“Fazer seguros para quem está acostumado a comprar é fácil. O desafio agora é parar de vender seguros só para os 30% que consomem e atingir os 70% que não compram e para isso é preciso que o mercado se una”, alertou o diretor da HDI Seguros.

A aplicação em modelos de dados mais variáveis é o que trará agilidade para a sobrevivência do setor, disse o consultor. Na sua opinião, se o Open Insurance for harmonicamente implementado ouvindo seguradoras, bancos, clientes e outras partes envolvidas será bem sucedido.

“A ampliação do mercado é mais importante do que a concorrência. Isso é possível com a ciência de dados. A cultura de dados deverá estar permeando empresas e canais para potencializar em termos de rentabilidade e aumento de vendas. Claro que haverá uma transição para chegar a esse mundo novo que está batendo a porta”, concluiu.