Foto de Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico

Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico Crédito: Divulgação

A unico, startup brasileira mais recente a entrar para o clube dos unicórnios, vê o seu objetivo principal de se tornar uma big tech estar cada vez mais próximo. No início de agosto, a empresa recebeu um aporte de R$ 625 milhões em uma rodada liderada pelos fundos General Atlantic e SoftBank, montante que chegou após 10 meses do investimento de R$ 580 milhões pelos mesmos fundos.

“Hoje a unico tem mais de 800 clientes e cresceu muito nos últimos 12 meses. Aumentamos em quase seis vezes o número de colaboradores, passando de 160 para mais de 700, tivemos 130% de crescimento nos resultados do primeiro semestre de 2021, comparados com 2020, e uma alta de 423% nas vendas”, contabiliza Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da unico.

Criada em 2007 por Diego Martins, Paulo Alencastro e Rui Jordão, a unico opera como uma IDTech com soluções de biometria facial para autenticação de identidades, assinatura eletrônica biométrica e admissão digital. Com sede em São Paulo, atende bancos, varejistas, fintechs, e-commerces e indústrias com o objetivo de simplificar processos e combater fraudes. Entre os clientes, estão Magalu, Pernambucanas, B2W, Vivo, Ambev, C6 Bank, Boticário, Vivara e Sephora.

“A unico surgiu com uma solução de gestão eletrônica de documentos, com o nome de Acesso Digital. Entregávamos uma solução completa, tanto de hardware quanto de software. Brincávamos que era o motoboy eletrônico. Tivemos um crescimento muito grande com essa solução até 2015, quando vimos que era o momento da reinvenção”, lembra Zanelatto.

Segundo a startup, de janeiro a junho deste ano, a unico-check, ferramenta de biometria facial, evitou R$ 22 bilhões em prejuízos a instituições e pessoas e identificou uma fraude de identidade a cada 12 segundos. “No primeiro semestre deste ano autenticamos mais de 100 milhões de brasileiros através da nossa plataforma. Foram mais de 900 mil casos de brasileiros que seriam vítimas de golpe de fraude ideológica que conseguimos proteger”, ressalta o diretor de produtos.

A startup tem apostado em aquisições para acelerar o crescimento. Em 2009, a unico comprou a dotBR, desenvolvedora de software de gerenciamento de documentos e workflow. Em 2017, foi a vez da Arkivus, de Londrina (PR), em 2020, da gaúcha Meerkat, especializada em análise de imagens. Em maio de 2021, a unico concluiu a compra da Vianuvem, startup de gestão de processos digitais para vendas de automóveis e, recentemente, anunciou a aquisição da CredDefense, complementando as áreas de tecnologia e desenvolvimento da biometria facial.

Proteção de Dados

Segundo Zanelatto, a IDtech começou a se preparar para a Lei Geral de Proteção de Dados ainda em 2018, quando o assunto começou a ser discutido no Brasil. “Nós não esperamos até a lei vingar. Hoje nós não compartilhamos qualquer informação com os nossos clientes. Independentemente da Lei, a gente coloca a privacidade da pessoa acima de tudo”, assinala.

O Open Banking, assim como o Pix, traz muitas oportunidades para a unico, segundo seus dirigentes. De acordo com Marcelo Zanelatto, a partir do momento que muitas empresas conseguem oferecer serviços financeiros gera-se para o fraudador uma janela muito grande de possibilidades de fraudes e golpes. “São muitas empresas querendo entrar num contexto, muitas vezes sem o preparo necessário com relação à segurança. Nossa solução fica cada vez mais importante e necessária para que as empresas se protejam”, afirma.

A próxima aposta da unico é investir no mercado externo, ainda em 2021 ou o mais tardar em 2022. “Nosso objetivo final é ser uma bigtech. Ainda nos falta uma equipe mais robusta e atender fora do Brasil. Precisamos ter soluções globais, acelerar aquisições e focar muito em tecnologias proprietárias. Não queremos que novos produtos venham só de fora”, conclui Zanelatto.