Luiz Rabi, Economista-chefe da Serasa Experian - Foto: Divulgação

Luiz Rabi, Economista-chefe da Serasa Experian – Foto: Divulgação

Em tempos de crise, econômica e sanitária, o número de brasileiros endividados chama a atenção de todos e estampa manchetes de sites e jornais. O economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi, desmistificou o conceito negativo desse endividamento ao participar de mesa redonda sobre o Mercado de Crédito no Brasil, nesta quarta-feira, 25, durante o Digital Money Meeting.

“Crédito e endividamento são a mesma coisa. Quando falamos que o potencial de crescimento do crédito é enorme no país, estamos dizendo que o potencial de dívidas é igualmente proporcional e não tem nada de errado nisso, essa palavra tem uma conotação negativa. O problema, na verdade, é quanto do orçamento está comprometido e é isso que gera a inadimplência”, reflete Rabi.

O economista-chefe questiona qual é o segredo do crédito, de como aumentar o endividamento sem aumentar comprometimento e a resposta, na opinião dele, está nas novas oportunidades que a revolução do mercado financeiro está proporcionando, ou seja, a oferta de prazos maiores e menores taxas. “A série de mudanças que estão ocorrendo vão, finalmente, permitir a diminuição do spread bancário”, sintetiza.

Segundo Luiz Rabi, a inadimplência ainda é muito alta no Brasil e isso se deve a um grau baixo de educação financeira. Instituições como a própria Serasa, o Banco Central, entre outros, têm investido na democratização da informação financeira, mas ainda não é suficiente, o que reflete no número de inadimplentes.

Cadastro positivo

O Open Banking, tal como o Cadastro Positivo, que contém informações dos cidadãos brasileiros que, geralmente, pagam seus débitos em dia, tem muito a contribuir na democratização do acesso ao crédito no Brasil na visão de Rabi. “Hoje, 105 milhões de brasileiros já estão cadastrados, mas mais de 60 milhões ainda estão à margem do mercado”, revela.

Os usuários de empresas de telecomunicações e das chamadas utilities, como fornecedoras de água, luz ou gás, terão seus dados repassados ao Cadastro Positivo a partir do próximo ano e, para ele, isso é extremamente benéfico.

Para ele, o mercado bancário está no movimento inverso dos últimos 20 anos, quando houve uma concentração exponencial nos cinco maiores bancos do país. “Novos players são um sinal de que o mercado de crédito é promissor, pois os capitais são investidos onde a taxa de retorno é maior, e isso é muito bom para o consumidor, que terá mais ofertas de crédito, com prazos maiores e menores taxas”, conclui Luiz Rabi.