Marcelo Queiroz, Head de Estratégia de Mercado da ClearSale - Foto: Divulgação

Marcelo Queiroz, Head de Estratégia de Mercado da ClearSale – Foto: Divulgação

Apesar de um arcabouço regulatório que atende a padrões internacionais de segurança, a preocupação com incidentes no ecossistema do Open Banking e, posteriormente, do Open Finance, é permanente. Mas além de camadas de segurança, monitoramento contínuo e estabelecimento de prioridades, executivos de empresas que atuam na proteção de incidentes consideram que há um passo fundamental que deve ser adotado, a educação digital e financeira dos usuários e potenciais clientes desse sistema.

“O Open Banking traz capacidade de dispor dados para um ecossistema mais amplo e, para isso, o cliente terá de dar consentimentos nesse processo, primeiro para a instituição de que ele é cliente para entregar suas informações para a outra que lhe ofereceu um novo serviço.  As instituições terão de explicar todo esse processo de uma forma clara para esse cliente”, comentou Marcelo Queiroz, head de Estratégia de Mercado da ClearSale.

Para Arthur Capella, CEO da Tenable, o nível de educação financeira da população, atualmente, é muito baixo. “A forma como muitos deles se relacionam com o digital é apenas via WhathsApp”. Na sua avaliação, o ecossistema de Open Banking terá a responsabilidade de mostrar para o usuário que  se trata de um serviço seguro e com produtos que poderão beneficiá-lo. Sem isso, os riscos de fraude poderão aumentar.

Ele acredita que poderão, inclusive, surgir novos atores no mercado voltados para auxiliar na tomada de decisão, com  esclarecimento para o cliente sobre oportunidades, melhores negócios e análises financeiras. Ele lembra que no início do e-commerce, por exemplo, existiam ferramentas como o Buscapé que permitiam comparação de preços .

Antonio João Filho, Diretor-Executivo da Embratel - Foto: Divulgação

Antonio João Filho, Diretor-Executivo da Embratel – Foto: Divulgação

Antonio João Filho, diretor-executivo da Embratel, também acredita que o mecanismo do open banking não está claro para a população e ressalta que as instituições financeiras terão de assumir esse papel. Ele também destaca como um ponto importante a questão da transparência entre os participantes do ecossistema e observa que essa também é uma das preocupações do Banco Central explicitada em sua última instrução normativa, de abril.

“Qualquer incidência de segurança terá de ser relatada para o órgão de governança e, conforme o caso, quem causou o problema pode até ser excluído”, informou. Isso aumenta internamente o estímulo a adoção de sistemas de segurança eficazes mas também passa mais confiança no Open Banking como um todo.

Capella enfatiza que haverá muito aprendizado também entre os participantes do ecossistema no quesito segurança. Ele compara à Indústria 4.0 que deu início ao processo de automação e mais recentemente vem recebendo ataques que eram há algum tempo improváveis.