Em três anos, são mais de 140 milhões no Cadastro Positivo - Foto: Cândida Bittencourt

Elias Sfeir, presidente da ANBC, em evento em Brasília – Foto: Cândida Bittencourt

A implementação do Cadastro Positivo no modelo de adesão automática completa três anos com benefícios comprovados, principalmente na democratização do crédito e da inclusão financeira dos brasileiros.

De acordo com dados da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), entidade que reúne os birôs de crédito gestores do banco de dados do Cadastro Positivo (Boa Vista, Quod, Serasa, SPC e TransUnion), são mais de 140 milhões na base de dados, sendo pouco mais de 130 milhões de pessoas físicas e 10 milhões de pessoas jurídicas.

Em evento que comemorou os três anos do Cadastro Positivo, em Brasília, o presidente da ANBC, Elias Sfeir, ressaltou que a construção do banco de dados acontece com o esforço de muitas pessoas e instituições. Elias lembrou que a implantação do Cadastro Positivo ocorre em etapas.

“As duas etapas iniciais e já concluídas se referem ao recebimento de dados dos clientes das instituições financeiras e das operadoras de telecomunicações. As próximas etapas, já iniciadas, referem-se ao envio de dados pelas concessionárias de energia elétrica, de saneamento e de gás encanado”, pontuou.

Foram 145 instituições financeiras a disponibilizar os dados e sete operadoras de telecomunicações. Segundo o presidente da ANBC, uma concessionária de energia já forneceu os dados de seus clientes, sendo que 23% da base não eram reconhecidos pelo sistema financeiro, estavam ‘invisíveis’ ao sistema de crédito.

O mesmo aconteceu com a base de dados das operadoras de telecomunicações, quando 12,7 milhões de pessoas físicas e jurídicas foram incluídas no Cadastro Positivo. Segundo Elias Sfeir, a expectativa é muito grande com a inclusão de outros setores, como saneamento e gás, que já estão em tratativas para a disponibilização de seus dados.

“Temos uma grande expectativa de mais acesso e melhores condições de crédito para milhões de brasileiros. Em três anos, 22,1 milhões de pessoas físicas e jurídicas melhoraram a sua pontuação a partir da entrada no Cadastro Positivo. Isso é democratização e inclusão”, ressaltou o executivo.

Dados do relatório do Banco Central com análise dos resultados de operação do Cadastro Positivo apontaram para o aumento da nota de crédito de 20% para pessoas físicas e jurídicas. “O mais importante é a constatação da melhoria dos resultados a partir da implementação do Cadastro Positivo que tem grande potencial para a diminuição do spread bancário”, afirmou João André Pereira, que representou o Banco Central no evento.

“O Cadastro Positivo, pelos benefícios até o momento identificados, se consolidou como um direito do consumidor, e o setor de birôs de crédito está muito satisfeito com os resultados que geram bem-estar social à população. O Cadastro Positivo permite a análise de risco na concessão de crédito de acordo com o perfil individual e agora considera também informações positivas no cálculo da nota de crédito, trazendo uma visão mais completa e justa de pessoas físicas e jurídicas”, afirmou Sfeir.

Dados regionais e por porte de empresas

Em termos regionais, as regiões Sul e Sudeste são as mais impactadas pelo Cadastro Positivo, com São Paulo, até pelo número de habitantes e empresas, estar em primeiro lugar com 92,61%. Norte e Nordeste são as regiões menos impactadas, mas estados como Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe têm percentual acima dos 70%.

Com relação ao porte das empresas, 94% das grandes estão presentes na base de dados do Cadastro Positivo, 62% das médias, 65% das pequenas, 42% das micro e apenas 13% dos microempreendedores individuais (MEIs), que muitas vezes são confundidos com as pessoas físicas.

Sondagem realizada pela ANBC demonstra que 34% dos entrevistados acreditam que o Cadastro Positivo proporciona melhores condições de crédito, 22% veem o processo menos burocrático e 17% sentem o processo de concessão mais ágil. Entre os participantes da pesquisa, 27% não perceberam qualquer impacto a partir do Cadastro Positivo.

A percepção geral é positiva para 73% dos consumidores entrevistados. Outro dado comemorado pela ANBC é que, entre os consumidores que solicitaram a retirada de seus nomes do Cadastro Positivo, 45% retornaram.

“Temos acompanhado o empoderamento do tomador de crédito que, diante de condições mais justas, pode obter recursos financeiros dentro de sua capacidade de pagamento, diminuindo o risco de inadimplência, o que impacta positivamente a economia como um todo. Além disso, ao estimular a expansão do crédito, o Cadastro Positivo aumenta a competição no mercado e pode reduzir a taxa de juros praticada nas operações de crédito”, concluiu Elias Sfeir.