Raul Moreira, membro do conselho de administração do Banco Original - Crédito: divulgação

Raul Moreira, membro do conselho de administração do Banco Original – Crédito: divulgação

A nova onda do processo de inclusão financeira no país passa agora pelo empreendedorismo, e as startups estão trabalhando de forma positiva junto aos bancos digitais e aos bancos tradicionais para promover a inclusão do pequeno empreendedor, afirmou Raul Moreira, membro do conselho de administração do Banco Original, durante evento virtual da Abecs, o 15º CMEP.

“Nos últimos dois anos, quase 4 milhões de brasileiros criaram um CNPJ. Hoje são 5,5 milhões de trabalhadores com CNPJ e quase 19 milhões na informalidade, que tocam seu próprio negócio”, observa.

O avanço da tecnologia, o novo perfil do consumidor e a evolução da regulação, segundo ele, têm facilitado a inclusão financeira e o desenvolvimento das startups. “A simplificação do processo de aberturas de contas digitais representou um marco, contribuindo para melhorar a experiência do consumidor”, disse.

Mastercard LAC

Para Thiago Dias, VP de estratégia para fintechs e labs da Mastercard LAC, as startups têm desempenhado um papel essencial no setor de pagamento por trazer mais competitividade e levar o poder de decisão maior para o consumidor, que se torna cada vez mais digital, autônomo e empoderado, afirma Thiago Dias, VP de estratégia para fintechs e labs da Mastercard LAC.

“O consumidor está com mais apetite por experiências rápidas e flexíveis. Com a entrada de novas empresas e novos modelos de negócios, ele poderá ter um leque maior de opções customizadas, mais liberdade de escolha, competitividade de preços e autonomia”, observa.

A experiência desses usuários, segundo ele, será cada vez mais crítica, o que exigirá uma entrega de valor cada vez maior por parte das instituições financeiras.

De acordo com Dias, cerca de 50% das mais de 2 mil fintechs que operam na América Latina estão tentando resolver algum problema relacionado à inclusão financeira.

Mortalidade das startups

A taxa de mortalidade dessas startups, no entanto, ainda é considerada elevada, podendo chegar a 35%, conforme pesquisa desenvolvida pela Visa, no ano passado. A falta de capital foi apontada como o principal motivo que leva uma startup a sair do jogo, 35%.

Até que ponto a indústria de meios de pagamento pode apoiar e levar as startups a um outro patamar, na medida em que o pagamento é tido como um dos pilares essenciais para a entrega de seus produtos.

“Não acho que nosso papel seja oferecer capital para essas empresas, mas sim expertise, acesso a tecnologia, flexibilidade e simplicidade, assim como ajudá-las na parte de engajamento e aceleração comercial”, afirma Dias. Segundo ele, a Mastercard tem um programa de engajamento, monitoria e aceleração de seis meses de duração, voltado para startups que já se encontram em um determinado nível de desenvolvimento.

“São 260 startups nesse portfólio e já investimos em mais de 25 empresas. Avaliamos todos os anos mais de 2 mil candidaturas para aprovar 40, taxa de aprovação de 2%”, disse.

A indústria de meio de pagamento pode apoiar tanto os empreendedores, mentores, investidores sobre o conhecimento da importância do seu papel para as startup menores ou ter programas mais estruturados para empresas mais estabelecidas.

Considerando as startups menores, Moreira cita a importância do Marco Legal da Startup como sendo fundamental, pois trouxe maior segurança para os investidores. “Permitiu criar uma massa de investidores anjos que também são empreendedores e mentores e que podem  apoiar o desenvolvimento de novas startups.”