Rio da Amazônia com mata protegida - Crédito: Freepik

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Presidentes de mais de uma centena de grandes empresas nacionais e estrangeiras assinaram uma carta defendendo objetivos climáticos ambiciosos e o protagonismo brasileiro nas negociações do clima, noticiou nesta segunda-feira, 27, o jornal O Estado de São Paulo.

O documento será apresentado ao governo brasileiro e levado para a conferência das Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, a COP26, marcada para novembro, em Glasgow, na Escócia.

Chamada de “Empresários pelo Clima”, a iniciativa é liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e é divulgada quando uma série de movimentos do setor privado busca se afastar do posicionamento ambiental do governo federal.

“Objetivos climáticos ambiciosos correspondem à nossa convicção de que o Brasil deve buscar o protagonismo nas negociações de clima. Esse é o papel compatível com a nossa tradição de integridade climática”, afirma um trecho da carta. “O Brasil deve manter a sua centralidade nesse diálogo, sob pena do enorme prejuízo ao setor produtivo e à sociedade brasileira.”

O tamanho das empresas que assinam o documento mostra a importância que a questão ambiental tem para a economia brasileira. Apenas as 46 empresas do grupo que têm capital aberto somam quase R$ 1 trilhão em faturamento.

“O setor empresarial brasileiro convida toda a sociedade e atores políticos que apoiem o engajamento do Brasil nessa nova realidade global de economia climática, por meio da retomada verde da economia e da participação ativa na Conferência de Glasgow e em seus preparativos. Assim poderemos reafirmar nossa inserção internacional e construir um melhor legado ambiental, social e econômico, com menos desigualdades e melhores condições de vida, para essa e as próximas gerações”, conclui a carta.

Assinam o documento CEOs como Octavio de Lazari Júnior (Bradesco), Lorival Luz (BRF), Marc Reichardt (Bayer), Daniel Klabin (Klabin), Fabio Faccio (Renner), Marcelo Melchior (Nestlé), André Lopes de Araújo (Shell), Daniel Mazini (Amazon), Christian Gebara (Vivo), João Paulo Ferreira (Natura) e Marcelo Araujo (Ipiranga). Ao todo, são 105 os signatários da carta, divulgada com exclusividade pelo Estadão.

Investidores globais cobram ações

Os investidores globais que administram mais de US $ 2,5 trilhões pediram aos governos que obrigassem as empresas e auditores a apresentarem contas financeiras alinhadas com a meta mundial de emissões zero carbono, conforme noticiou a agência Reuters.

A próxima conferência sobre o clima, apelidada de COP26, é vista como a mais importante desde que os governos originalmente firmaram um acordo para limitar o aquecimento global em Paris em 2015, com todas as partes agora sendo solicitadas a acelerar seus esforços.

“Se escolhermos esperar que as empresas respondam à pressão dos investidores, pode levar anos para entregar os números que precisamos para investir de uma forma que esteja alinhada com os objetivos de Paris”, disse a carta dos investidores.

Os signatários da carta incluem um órgão que representa as pensões do governo local britânico, o esquema de pensão AP2 da Suécia e investidores, incluindo Sarasin & Partners, que coordenou a carta e um documento de posição que a acompanha, bem como Candriam e Federated Hermes.