Foto de Rodrigo Terron, CEO da Rocketseat

Rodrigo Terron, COO da Rocketseat – Crédito: Divulgação

A demanda por profissionais de tecnologia está em alta no mercado, muito em função da aceleração da transformação digital das empresas. A média salarial acompanha esse aquecimento, reflexo da escassez de mão de obra especializada, em meio às estatísticas recordes de desemprego.

Dezenas de empresas estão com oportunidades abertas para várias funções, como desenvolvedor front-end, analista de suporte, analista de mercado, product manager, entre outras especialidades. Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscon), o Brasil forma anualmente cerca de 45 mil pessoas na área de tecnologia, mas são abertas uma média de 70 mil vagas por ano.

A saída encontrada para esse déficit de profissionais é investir na formação, solução que impulsiona o mercado das edtechs, startups focadas na tecnologia para a educação. Só no primeiro semestre de 2021, os investimentos nas edtechs brasileiras somaram US$ 223,7 milhões, em 24 deals, segundo relatório da plataforma Distrito.

A Rocketseat, startup fundada em 2017, tem comemorado esses resultados. No início, a empresa investiu, basicamente, na formação de desenvolvedores em nível de especialização e criou um bootcamp de aceleração de carreira em javascript.

Hoje, após a fusão com a Shawee, a startup oferece três produtos para públicos diferenciados. O primeiro, totalmente gratuito, é dedicado ao profissional que está começando do zero e encontra mais de 500 aulas disponíveis no aplicativo da Rocketseat. Segundo a empresa, são mais de 100 mil alunos ativos na modalidade.

O curso de especialização, além da javascript, já está disponível em mais quatro linguagens e o objetivo da startup, até o fim do ano, é trabalhar com as 20 principais tecnologias que o mercado utiliza. Atualmente, são 20 mil alunos ativos na modalidade, em contratos individuais. Por fim, lançou um novo curso para desenvolvedores já avançados, mas que precisam se manter atualizados.

“Estamos num momento muito bom. As empresas não podem ficar esperando surgir desenvolvedores, elas mesmas precisam investir nessa formação. Elas patrocinam programas internos e externos e estamos num movimento de trabalhar juntos e gerar um impacto no maior número possível de profissionais”, afirma Rodrigo Terron, COO da Rocketseat.

Até outubro do ano passado, 100% dos resultados da startup vinham da venda direta (B2C), agora, os contratos individuais com alunos ainda respondem por 80%  do faturamento, os outros 20% são B2B.

De acordo com o COO, os contratos com as empresas dependem das demandas. A empresa pode contratar o profissional e depois capacitá-lo, capacitar e só depois contratar ou não necessariamente contratar. “Uma de nossas clientes, a Fcamara, contrata de 30 a 40 desenvolvedores por mês, para um quadro de mais de mil profissionais. Eles patrocinam bolsas e, conforme os alunos vão avançando no processo de educação, vão sendo inseridos em posições dentro da companhia”, conta Terron.

Escassez e concorrência

A escassez da mão de obra, no entanto, explica a alta rotatividade entre os profissionais de tecnologia. Segundo Terron, nos quatro anos de existência da startup, pela primeira vez a empresa perdeu três profissionais para a concorrência e eles não ficaram no Brasil. “Eles estão buscando o programador que sabe, pelo menos, o inglês técnico. Um dos nossos funcionários foi para uma startup alemã, um para a Argentina e o outro para a Irlanda”, assinala.

Algumas empresas, como a Brex, fundada por dois brasileiros na Califórnia (EUA), instalam bases no Brasil, contratam os profissionais aqui, mas pagos em dólares, o que faz crescer ainda mais o apetite para novas oportunidades de trabalho.

Segundo a Brasscon, só no primeiro trimestre de 2021, foram 52,7 mil contratações no setor de TIC. Somadas aos 16,3 mil novos empregos registrados em abril, o setor ultrapassou, em quatro meses (69 mil), o saldo de todo o ano de 2020, que fechou com 59 mil postos de trabalho criados.

Ainda segundo a entidade, a demanda por profissionais de tecnologia é de 420 mil, até 2024. A demanda reprimida é de 25% em Internet das Coisas, 11% em Segurança, 10% em Big Data, 6% em Nuvem e 2% em Inteligência Artificial.

Pesquisa do site CódigoFonte, com 11.441 programadores entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021, mostra que o número de mulheres no setor ainda é muito pequeno. Do universo pesquisado, 93,8% são homens e 5,9% mulheres. A média salarial para os programadores sênior é de R$ 10.601,42, mas há também diferenças salariais relativas ao gênero. Cerca de 18% dos programadores masculinos recebem acima de R$9.000, no caso das programadoras esse percentual é de 6,7%.