ETFs caem no gosto de investidores brasileiros- crédito: Flickr

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Os ETFs caem no gosto dos investidores brasileiros e chegam para melhorar o ecossistema de investimentos no país. Atualmente, há quase 500 mil investidores utilizando ETFs, contra 230 mil registrados no ano passado, que movimentam aproximadamente R$ 51 bilhões em patrimônio, afirma Renato Eide, head de estratégia Beta do Itaú Asset Management, durante evento virtual.

Um Exchange-Traded Fund, fundo de índice (ETF), são fundos negociados em bolsa que replicam índices, permitindo que os investidores tenham acesso, por meio de um único produto, a um universo amplo e diversificado de ativos. O que tem atraído tanto a atenção do investidor brasileiro para os fundos ETFs são basicamente liquidez, baixo custo e diferentes alternativas de investimento.

“A questão da liquidez é bem clara, pois quanto mais participantes mais fácil e barato fica entrar e sair do mercado. O custo é um diferencial importante, especialmente, se olharmos a gestão passiva como se fosse uma linha de produção, pois os benefícios de ganho de escala são evidentes. O custo marginal para um gestor passivo é praticamente zero, ou seja, o aumento da captação não representa aumento de custo para ele”, afirma Paulo Sampaio, diretor sênior LatAm da S&P Dow Jones Índices.

A indústria de ETFs no país, segundo ele, representa atualmente 0,6% da indústria de fundos multi brasileiros, que é considerada avançada e está situada entre as Top 10 do mundo, com R$ 1 trilhão em ativos.

“Vemos um potencial muito grande para ETFs no Brasil. Se considerarmos que há quatro anos, havia 500 mil CPFs operando a Bolsa, saímos de um bom patamar no mercado de ETFs. Isso mostra como evoluímos”, disse ele. Em 2018, havia apenas 16 ETFs listados no mercado brasileiro somando R$ 12 bilhões de patrimônio.

Internacionalmente, o mercado de ETF está em franco crescimento. Em agosto de 2021, fechou com US$ 9,2 trilhões em patrimônio distribuído de 8 mil ETFs, com crescimento de 20% em relação a dezembro do ano passado.

O mercado americano representa 70% do total desses ativos, ou seja, US$ 6,5 trilhões, enquanto a Europa responde por 15% e a Ásia 11%. O mercado na América Latina é de cerca de US$ 18 bilhões e o Brasil representa aproximadamente US$ 10 bilhões.

Índices temáticos

Todo índice ETF replica uma estratégia diferente. Nesses tempos de pandemia, a tendência é que os chamados índices temáticos representem um crescimento exponencial. No mercado internacional, entre o fim de 2020 e junho de 2021, eles saíram de cerca de US$ 62 bilhões para US$ 596 bilhões de patrimônio, com quase 10 vezes de  crescimento.

Esses conceitos de índices temáticos têm ativos bastante amplos e envolvem o conceito de transformação tecnológica, comunicação, comércio eletrônico, criptomoedas, automação e questões relacionadas ao clima, como o ESG. Eles estão também relacionados à água, energia limpa, preservação de recursos naturais, demografia, saúde e bem estar.

O custo e abordagem transparente são pontos importantes para identificar qual é a política de investimento que há por trás de um índice. “Isso permite que o investidor tenha uma visão clara que o gestor está fazendo o investimento de forma transparente e que reflita de fato a política de investimento que se propõe o índice”, diz.

A questão do ESG é um ponto importante no mercado internacional, além dos temáticos. O ESG que mede performance de empresas comprometidas em não adicionar emissões na atmosfera. No Brasil foi lançado no ano passado o índice ESG composto por 130 empresas, avaliadas segundo critérios ESG.