No ranking top ten das criptomoedas listadas pelo site especializado www.coinmarketcap.com, a segunda moeda mas valorizada depois do Bitcoin (BTC) – que lidera indiscutivelmente com cotação de US$ 56,848 mil e market cap de US$ 1,057 trilhão – o Ethereum (ETH) teve mais um alta recorde de quase 10%, sendo cotada a US$ 3.191 e alcançando um valor de mercado de US$ 369,37 bilhões. A moeda acumula alta de quase 30% nos últimos sete dias e 330% no ano.

“Há um otimismo por parte dos operadores com relação ao futuro da plataforma Ethereum, muito baseado no processo das DiFi (finanças descentralizadas), que atingiram marcas importantes nas últimas semanas. E também pela expectativa de implementação do Ethereum 2.0, uma melhoria que vai permitir maior escalabilidade e redução nas taxas para processar as transações. Há um grande otimismo e vale a pena acompanhar de perto para saber até onde vai essa trajetória de alta” analisa Safiri Felix, diretor de produtos e parcerias da Transfero.

As demais criptomoedas são as chamadas altcoins, nome dado a qualquer moeda que não seja Bitcoin, e, mais recentemente, o Ethereum, que está deixando de ser uma altcoin. Cada uma dessas moedas tem sua própria história, a preferência de uma ou outra exchange e um nível de correlação com o Bitcoin. Bruno Milanello, executivo de investimentos da Mercado Bitcoin, maior Exchange brasileira, diz que todos os ativos estão de certa forma correlacionados.

Bruno Milanello – Executivo de Investimentos da Mercado Bitcoin Crédito: Divulgação

 

“O Bitcoin, por ter sido a primeira criptomoeda, de onde derivam todas as moedas, é a mais consolidada e tem uma dominância de 55% a 60%. Os impactos do Bitcoin sempre se dão de forma diferente nas outras moedas e de acordo com o momento. Historicamente, a que tem maior correlação é o Ethereum, moeda com a segunda maior participação no market cap total de 15% a 20%”, diz Milanello.

Bernardo Teixeira, CEO da BitcoinTrade, informa que sites como o cryptowatch, permitem apresentar a correlação entre as moedas. Hoje o coeficiente de correção do Ethereum com o Bitcoin é de 0,73, considerado bastante alto.

“O Ethereum e o Bitcoin acompanham muito o mercado e existem muitos trades que têm robôs automatizados que fazem com que essa correlação exista. Mas outras moedas como a Litecoin, têm uma correlação de 0,76. Entre as que são menos correlacionadas estão a Ripple, que tem um coeficiente de 0,38, a Cardano, 0,33”, diz Teixeira.

Ele destaca a Binance, a Ripple, a Tether e a Cardano como boas altcoins. Esta última é o que ele chama de moeda de proof of stake, por permitir mais transações no blockchain de maneira mais rápida, usando um método de verificação diferente. “O proof of stake, ou prova de propriedade, permite que o portador da moeda volte nos mineradores que considera mais confiáveis, o que elimina o grande consumo energia do Bitcoin”, explica Teixeira.

Em seguida vem a moeda-piada Dogecoin (DOGE), criada como uma brincadeira baseada em um meme de um cachorro Shiba Inu. Mas desenvolveu rapidamente sua própria comunidade on-line e atingiu um valor de mercado de US$ 50 bilhões, devido às declarações favoráveis do bilionário Elon Musk, o CEO da Tesla e da SpaceX.

“Já a Polkadot (DOT), com valor de mercado superior a US$ 34 bilhões, também é uma proof of stake e vamos lista-la em breve. A Uniswap é uma plataforma dentro do Bitcoin e do Ethereum, que permite trocar tokens, um projeto bem interessante que pretendemos incorporar. E, por fim, a Litecoin é um fork (divisão) do Bitcoin”, diz Teixeira.

A Ripple (XRP) tinha várias parcerias com instituições financeiras para melhorar o sistema bancário e as transações internacionais. Mas, em outubro de 2020, a Security Exchange Comission (SEC), iniciou uma investigação para avaliar se o token XRP era um valor mobiliário, o que fez com que várias exchanges, especialmente as americanas, tirassem a moeda de suas listagens.

”A Coinbase e a Brax deixaram de ofertar compra e venda da moeda de XRP, o que fez com que o preço desabasse. Também há uma investigação acerca de manipulação de mercado. Mas parece que o recente otimismo em relação ao XRP sinaliza que a empresa está conseguindo reverter as dificuldades e, como ficou de fora do boom recente, se conseguir reverter os reveses, pode ter uma boa valorização”, indica Teixeira.

Marco Castellari, CEO da Brasil Bitcoin, diz que as altcoins podem ser uma alternativa porque o Bitcoin e a Ethereum têm o problema da cobrança de uma taxa alta de envio, que a pessoa paga aos mineradores para transferir as moedas de uma carteira para outra.

“Como são as moedas de maior volume de transação na rede, há um leilão para ver quem paga a melhor taxa o que faz com que as taxas fiquem altíssimas, acima de R$ 200, o que inviabiliza transações financeiras de baixo valor”, explica Marco Castellari, CEO da Brasil Bitcoin.

Assim, as altcoins surgem como alternativa, pois, por serem menos utilizadas, têm taxas menores. Castellari destaca a Binance Coin (BNC) que lidera o ranking das altcoins estando cotada US$ 665,56 e com valor de mercado de U$101,61 bilhões. A moeda foi lançada pela gigante chinesa Binance, uma das maiores exchanges do mundo. Outro destaque é o Tether (USDT), a quinta no ranking e uma stable coin (moedas que espelham um ativo) lastreada no dólar.

“É uma stable coin da moeda fiduciária mais utilizada no mundo. É uma criptomoeda extremamente estável e uma ótima opção para a pessoa guardar dinheiro. Já a Ripple (XRP), cotada a US$ 1,56 e com market cap de US$ 70,48 bilhões, é a quarta no ranking geral e a segunda entre as altcoins. Praticamente não tem taxa, o que permite transações muito rápidas. Mas é uma moeda centralizada que enfrenta vários problemas jurídicos”, diz Castellari.

Na sequência, vêm a Dogecoin (DOGE), sexta no ranking geral, e a Cardano (ADA) em sétimo. “A Dogecoin é uma piada, mas além dos pumps (impulso) dado por Musk, há perspectiva de crescimento no curto prazo. E a estamos incorporado junto com a Cardano nas próximas semanas”, sinaliza CEO da Brasil Bitcoin.

Em oitavo está a Polkadot (DOT), seguida por Uniswap (UNI) e Bitcoin Cash (BCH). Completando a lista de top tem de altcoins vêm a Lite Coin (LTC) e Chaimlink (Link). “As que mais têm relação com o bitcoin são as cripto mais sólidas, especialmente o Ethereum.  Entre as altcoins, destaco a Lite Coin, que vale uma porcentagem do bitcoin”, conclui Castellari.