Fábio Póvoa, sócio da Smart Money Ventures

Fábio Póvoa, sócio da Smart Money Ventures Crédito: Divulgação

Co-fundador da Movile/iFood, mentor e investidor anjo com 16 startups no portfólio, Fabio Póvoa criou o K-Pool, um clube de investimentos que propõe um modelo diferente no segmento. No clube de Póvoa, ele mesmo garante a rodada com investimento próprio. “Eu assumo o risco”, garante. A ideia começou a dar tão certo que, segundo ele, em rodada prevista para R$ 1 milhão a demanda de investidores chegou a R$ 5 milhões.

Atualmente, o clube tem 80 investidores e a meta é atingir 120 até o fim deste ano. Além da anuidade, a Smart Money Ventures, criada por Fábio Póvoa e César Bertini, em 2018, cobra comissão por apresentar o negócio e pela gestão do investimento. Em entrevista ao Digital Money Informe, Fábio Póvoa fala do momento extremamente aquecido para o Venture Capital.

DMI – Estimativas do mercado preveem que os investimentos em venture capital vão chegar a US$ 8 bilhões em 2021. Essa expectativa deve se concretizar?

Fábio Póvoa – Sim. Com a queda na taxa de juros, que agora voltou a subir, mas ainda está baixa, existe uma confluência muito grande para o venture capital ter um volume bastante significativo. O SoftBank, por exemplo, elegeu a América Latina como um dos seus alvos, o que faz com que as rodadas grandes aconteçam. Outras empresas já bastante maduras, como a própria Movile, levantou uma rodada de R$ 1 bilhão. Antes o pessoal festejava quando tinha um valuation de R$1 bilhão, agora é a rodada. Eu concordo com a previsão, a expectativa é bastante positiva.

DMI – Hoje a Smart Money Ventures tem 16 startups no portfólio?

Fábio Póvoa – Isso mesmo. Fizemos 16 investimentos, mas não tem 16 ativas ainda. Nós tivemos uma startup que não voou e três startups que foram vendidas num período muito pequeno por compradores estratégicos. Então, temos outras 12 startups que seguem ativas no portfólio. Nosso foco são startups de educação, finanças, recursos humanos e plataformas de software como serviço. Não investimos em startups que estejam na ideia ou mesmo no protótipo. Queremos ver a startup rodando com um faturamento de R$ 25 a R$ 30 mil reais mensais, com uma máquina de vendas já azeitada, que permita a essa startup passar para um faturamento mensal de R$ 300 mil, em dois anos.

DMI – Em função da falta de profissionais de tecnologia, muitas edtechs fazem parceria com empresas para a formação de pessoal. Esse é um caminho para as edtechs?

Fábio Póvoa – A educação começou a se transformar numa oportunidade de negócio, muito além da questão da universidade pública. Inclusive, a startup que investimos, a Gama Academy, acabou de ser comprada por um grande grupo educacional, a Ânima, dona de várias universidades no Brasil.

Vários empreendedores da educação começaram a fazer formação de profissionais em marketing, vendas, TI, para preencher a lacuna de profissionais. Várias empresas têm vagas em aberto e muitas vezes vira um jogo de ‘rouba monte’, empresas roubando profissionais de outras empresas e, com isso, os salários se inflam enormemente porque os profissionais estão extremamente valorizados. Isso está acontecendo efetivamente e é uma oportunidade muito grande para essas empresas na área de educação, que têm soluções diferenciadas. A Gama, a startup que ainda está no nosso portfólio, faz exatamente isso.

DMI – Qual é modelo de negócios da SMV?

Fábio Póvoa – O nosso trabalho é muito mais do que simplesmente alocar capital. O capital é um pedacinho dessa jornada de construção de uma grande empresa. Investimos em um produto incipiente e cinco ou oito anos depois temos uma empresa grande, disruptiva, o que é o iFood hoje.

Do outro lado, temos a escolha de investidores. Nós não somos fundos, nós investimos o nosso próprio capital, meu e do meu sócio, e temos um clube de co-investidores, que são nossos clientes. Eles pagam anuidades de R$ 12 mil a R$ 60 mil para ter mentoria, orientação sobre alocação de patrimônio e formação de ideias de investimento e se engajam nas startups, cujas rodadas a gente lidera.

DMI – Quais são os próximos passos?

Fábio Póvoa – Hoje temos 80 investidores, somos muito seletos nessa escolha, e devemos chegar a 120, vamos crescer 50% na base de co-investidores até o fim do ano. Do ponto de vista de startup, vamos aumentar também o número de rodadas. Fazíamos quatro deals por ano e devemos fazer cinco a seis esse ano. Já fizemos três e devemos fazer, pelo menos, mais três ainda em 2021.

Estamos abrindo uma rodada, em princípio, a partir da semana que vem. Muitas pessoas acham que mais é melhor e não é. Pode-se fazer mil investimentos, mas a chance de impactar positivamente é muito pequena. Não queremos ser sniper de unicórnio, não é possível, vários erros vão acontecer, mas no estágio inicial é possível olhar um volume grande de informações para tentar antecipar oportunidades. É preciso ver o histórico do time, o produto, que já deve estar razoavelmente maduro, a base de clientes, máquina de vendas, muitas informações que não são meramente financeiras. É muito mais sofisticado olhar a performance para ver a perspectiva dessa startup vir a crescer de forma consolidada.

Eu vejo 2022 com bons olhos, apesar da subida da inflação e da Selic, ainda pequenas em termos históricos. Como fazemos poucos e seletos investimentos, os movimentos macroeconômicos não nos afetam muito porque temos uma base muito diversificada de investidores, de alta renda. O sofrimento está muito mais na base na pirâmide, nós não sentimos grandes impactos.