Foto do CEO da Stark Bank, Rafael Stark, sorrindo e sentado em uma mesa

Rafael Stark – CEO da Stark Bank Crédito: Divulgação

Entre as 254,3 milhões de chaves cadastradas no Pix até 31 de maio deste ano, 10,4 milhões são de pessoas jurídicas, mas as transações pelo meio de pagamento instantâneo entre as empresas são apenas 3% do total. Das 613,7 milhões de transações ocorridas só no mês de maio, pouco mais de 13,7 milhões foram B2B.

Esse número tem crescido ao longo dos meses, mas com velocidade menor do que as transações entre pessoas físicas (P2P), que registram 75% do total, com 405,5 milhões em maio, e mesmo aquelas entre pessoas físicas e empresas (P2B), com 12%, e entre empresas e pessoas físicas (B2P), com 11% do total.

Os números não surpreendem o mercado, uma vez que as transações entre pessoas físicas são mais simples e têm tarifa zero. Para as empresas, passar a operar com o Pix requer adaptações em seus sistemas, mas o interesse no meio de pagamento instantâneo é crescente.

A fintech Stark Bank, por exemplo, tem observado a adoção crescente do Pix entre os seus clientes, na maioria empresas de grande porte, mesmo com as adaptações tecnológicas necessárias. Segundo Rafael Stark, CEO da fintech, para o pequeno empreendedor, assim como para as pessoas físicas, a opção pelo meio de pagamento é mais fácil, qualquer banco ou fintech já oferece essa opção.

“As empresas maiores, no entanto, precisam não só ter um API para o envio do Pix, mas devem conectar o seu sistema ao banco e ainda conciliar a parte contábil. Trata-se de uma série de validações sistêmicas que precisam ser feitas para que possam operar com este tipo de pagamento”, explica o CEO.

Crédito imobiliário via Pix

Rafael Stark cita exemplos de clientes que começam a adotar o meio de pagamento instantâneo. “É o caso da Loft, um dos unicórnios do Brasil, que hoje vale mais de US$ 2 bilhões e já tem vendido apartamentos via Pix. Todo o processo da venda, entrada, parcelas, tudo é feito via Pix e nós fazemos essa operação para eles”, conta. Segundo Stark, a concorrência no mercado imobiliário tem também seguido essa opção, ainda que grande parte das operações seja para pessoas físicas (B2P).

Entre os clientes da Stark Bank, a Buser foi uma das primeiras empresas a adotar o Pix, em função da facilidade do recebimento das reservas, já que o boleto atrasava a operação pelo tempo da compensação. “Um outro cliente, a Zippi, uma fintech que opera cartão para empréstimos,  realiza todas as cobranças via Pix. A Guiabolso também se tornou nosso cliente em função do Pix e fechamos com a Caixa Seguradora, que vai começar a fazer a venda de seguros por Pix. Temos feito esse trabalho de catequização dos clientes pelas facilidades que o Pix oferece”, revela Rafael.

TED e boleto devem desaparecer

Questionado sobre o número de transações B2B pelo Pix, o Banco Central assinala que, como esperado, o uso pelas pessoas físicas se dá mais rapidamente, uma vez que é mais fácil assimilar o novo serviço. “O uso entre as empresas requer na maioria dos casos uma adaptação dos sistemas de automação do negócio, principalmente no que tange aos processos de conciliação. Com menos de seis meses de operação, a quantidade de transações Pix superou a quantidade de TED, DOC e boleto somados. Com os novos produtos previstos na agenda evolutiva, é esperado um crescimento ainda maior”, ressaltou em nota a autoridade monetária.

O CEO da Stark Bank acredita que o Pix substitui muito bem as transferências tradicionais e o boleto, mas o cartão de crédito se mantém forte no mercado. “Eu tenho a impressão de que o público de mais alta renda vai continuar preferindo o meio de pagamento via cartão, em função de benefícios como pontos e milhas, mas existe a tendência natural do boleto e TED morrerem, em função do Pix, mas cartão não”, conclui.