Falta vontade do governo em lidar com a "selva tributária"

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A carga tributária brasileira é danosa para o setor privado, não apenas pelo peso do imposto, mas pelo deslocamento de pessoas para lidar com uma verdadeira selva tributária, conforme o economista e consultor Alexandre Schwartsman.

Para uma empresa de tecnologia como a Totvs, focada em mercado de ERP e capaz de fazer a gestão de uma empresa do princípio ao fim, boa parte do tempo gasto em desenvolvimento de programa de tecnologia é voltada para acompanhar o ritmo do crescimento da carga tributária brasileira, afirmou Denis Herskowicz, CEO da Totvs.

“Mesmo em uma empresa de tecnologia, que seria fonte de produtividade e eficiência adicional, nós gastamos entre 20% a 30 % do nosso tempo somente para acompanhar o crescimento do metabolismo basal dessa selva tributária”, disse Herskowicz.

Na sua opinião, sem melhoria efetiva do ponto de vista de reforma será difícil mudar de patamar. “O investimento em tecnologia, soluções em nuvem, inteligência artificial, machine learning dá elementos para as empresas melhorarem sua performance. Porém, não adianta só o setor privado se mexer, se não houver um tipo de iniciativa  político governamental fica difícil mudar de patamar.”

Segundo Schwartsman, há uma boa proposta no Congresso formulada por dois economistas que desenvolveram um belo projeto, mas não houve apetite do governo federal para implementar.

“Isso possibilitaria reequilibrar as contas públicas, assim como destravar um potencial de crescimento das  empresas, pois a mão de obra qualificada empregada por elas hoje desempenha tarefas para arrumar maneiras de burlar impostos em vez de se dedicar a uma tarefa eminentemente produtiva”, observou.

O fiscal pesa, pois vemos hoje o aumento de dólar e de juros, mas não é só isso, segundo ele. “O fiscal pesa porque a contrapartida dele é uma carga tributária enorme e complexa e que atua no sentido de reduzir o crescimento da produtividade do país”, concluiu.