Crédito: Freepik

A carteira total de crédito deve manter um ritmo de expansão e crescer 10,3% em 2021, cenário superior ao previsto no último mês de maio, quando a projeção de crescimento era de 8,2%. O resultado está na Pesquisa de Expectativas da Febraban, realizada entre os dias 23 e 29 de junho, com executivos de 18 bancos, e divulgada nesta terça-feira, 6. A estimativa está abaixo do ritmo atual de expansão da carteira, de 16,1%, e da projeção feita pelo Banco Central, de alta de 11,1%.

Para 2021, a maior revisão ocorreu na carteira direcionada, que deverá crescer 8,2%, ante expansão projetada em 5,2% no levantamento anterior. Na carteira livre, a projeção passou de 10,1% para 11,2%, com alta no desempenho esperado para a carteira pessoa jurídica (de +9,6% para +10,4%) e para a carteira pessoa física (de +10,3% para 12,6%).

“Avaliamos que a revisão da carteira direcionada reflete a incorporação dos novos estímulos para o crédito, como a reedição do Pronampe, agora como linha permanente. Além disso, também contribuem positivamente o forte desempenho do crédito imobiliário, beneficiado pelas baixas taxas de juros, e a demanda aquecida por crédito rural, impulsionado pelo momento favorável do setor agropecuário”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Selic pode superar os 6,5%

Todos os participantes da pesquisa esperam que a Selic seja levada para, pelo menos, o patamar neutro no atual ciclo de ajuste, estimado em 6,5% ao ano, pelo próprio Banco Central. Para a maioria, 64,7%, por ora, um ajuste até o nível neutro deve ser suficiente para conter a atual aceleração inflacionária.

A maior parte dos entrevistados, 76,5%, no entanto, entende que a atual pressão inflacionária deve contaminar o IPCA de 2022, mesmo com a atuação ativa do Copom. Para 58,8%, o impacto atual deve ser modesto, levando o IPCA para um patamar um pouco acima da meta, enquanto 17,6% veem o choque como muito intenso, sendo necessário elevar a Selic para um patamar maior do que o até então sinalizado para levar a inflação para próximo do centro da meta.

Em relação à atividade doméstica, a grande maioria, 94,1%, espera que o PIB cresça em torno de 5,0% ou mais em 2021. No mercado de crédito, há alguma divergência sobre a trajetória do crescimento da carteira PJ em 2021. Para 46,7%, o ritmo de expansão da carteira PJ deve seguir desacelerando, em função da interrupção dos programas públicos, mercado de capitais aquecido, grandes empresas já capitalizadas etc. Para 40,0%, o crescimento da atividade deve compensar parte de tais fatores, levando a alguma acomodação no atual ritmo de crescimento.

Quanto à inflação norte-americana, a maioria, 64,7%, entende que a aceleração inflacionária no país decorre de fatores temporários e permanentes. No entanto, a retirada dos estímulos por parte do Fed tende a ficar em linha com o precificado pelo mercado, sem gerar volatilidade adicional. (Com assessoria de imprensa)