Leandro Vilain, Febraban - Crédito: Divulgação

Leandro Vilain, Febraban – Crédito: Divulgação

O Open Banking, que terá a sua segunda fase implementada no próximo dia 13 de agosto, já envolveu investimentos de R$ 98 milhões por parte das instituições financeiras para a criação de infraestrutura central necessária para atender a plataforma, em conformidade com as exigências do Banco Central.

Desse montante, que por determinação do órgão regulador é proporcional ao patrimônio líquido dos participantes, cerca de 90% ficaram a cargo dos bancos inseridos nas categorias S1 e S2.

“O open banking foi implementado no país graças ao suporte das grandes instituições financeiras”, afirmou Leandro Vilain, diretor de inovação da Febraban, associação que reúne os grandes bancos, durante workshop para imprensa sobre open banking, realizado hoje, dia 10.

Nesta fase do open banking, a segunda de quatro, será permitido o compartilhamento padronizado de dados pessoais pelas instituições participantes. As instituições financeiras registradas na nova plataforma poderão trocar dados de cadastros e transações de clientes entre eles, sempre a partir do consentimento do cliente.

A Febraban, segundo Vilain, vê de forma positiva a entrada de novas instituições no open banking, contanto que haja concorrência em igualdade de condições. “Hoje no país há fintechs que são verdadeiros conglomerados financeiros, por isso o tratamento tem de ser isonômico. As regras que valem para os bancos deveriam valer também para essas fintechs, que podem muito bem caminhar pelas próprias pernas, evitando assimetrias competitivas. Essas fintechs não podem ser confundidas com startups”, disse.

Infraestrutura central

A Febraban liderou o desenvolvimento de toda a infraestrutura central para o funcionamento da plataforma, que envolve a padronização do protocolo de comunicação de compartilhamento de dados; o gerenciamento de identidades, acessos e autorização de apps; o suporte técnico para os participantes, em caso de problema; o portal por onde se comunica as entidades participantes, área destinada ao desenvolvedor e ao cidadão; a plataforma de resolução de disputas, canal agnóstico para intermediar as possíveis disputas; o sandbox, ambiente criado para a resolução dos testes, que também certifica cada instituição; e o GitHub, armazenamento de padrões técnicos de interface.

A entrega desse ambiente contou com mais de 15 mil horas de trabalho de cerca de 250 pessoas, distribuídas em 10 grupos de trabalho, sob a orientação do BC. A tendência do segundo semestre será a movimentação do projeto para o open finance, em que contará com o compartilhamento de dados de seguro, previdência entre outras aplicações.

Comunicação intuitiva

Para o diretor de inovação da Febraban, o  grande desafio que se estabelece agora é a comunicação com os usuários. “A indústria bancária tem uma enorme agilidade para entender a percepção do cliente e adaptar a comunicação, conforme suas necessidades. Todos os bancos trabalham individualmente para que a comunicação seja a mais intuitiva possível”, diz Vilain.

A Febraban prevê alguns ajustes logo no início da implantação da fase dois para que a comunicação flua da melhor forma, em função da complexidade do ecossistema. Em caso de problema, a instituição poderá lançar mão do recurso do service desk, que permitirá tratar a questão de forma centralizada.

Com a entrada do open banking em operação, a tendência será os clientes receberem ofertas mais assertivas, de acordo  com suas necessidades, uma vez que os bancos terão informações sobre o perfil de cada cliente. Vilain não acredita que a intensidade das ofertas mudará na nova plataforma. Deixou claro, no entanto, que os mecanismos paras se proteger contra abordagens excessivas são os mesmos canais de comunicação disponíveis hoje pelas instituições financeiras.