Foto de Arthur Farache e Augusto Salgado com quadro de Palatnik

Arthur Farache, CEO da Hurst e Augusto Salgado, diretor de obras de arte da Hurst com obra de Palatnik – Crédito: Divulgação

Um mercado restrito a milionários pode, a partir de agora, atrair também investidores no varejo. É o que pretende a Hurst Capital, fintech de investimentos alternativos, ao lançar um pacote de três obras tokenizadas do artista plástico brasileiro Abraham Palatnik.

O modelo de token, um ativo em formato digital com base na tecnologia blockchain, teve início no mercado de criptomoedas e passou a ser usado em outros segmentos do mercado financeiro. A Hurst projeta que, para um investimento mínimo de R$ 10 mil nas três obras, a rentabilidade é de 17% ao ano, com resgate previsto em até 24 meses.

“A Hurst sempre foi plural ao olhar para diversos tipos de investimentos. Existe um mercado gigantesco que movimenta bilhões em obras de arte no mundo, mas com uma hiper concentração. O que estamos fazendo é permitir que pequenos investidores consigam entrar nesse mercado”, conta Augusto Salgado, diretor de obras de arte da Hurst.

O mercado de artes é estimado em US$ 1,7 trilhão em todo o mundo, segundo a consultoria Deloitte, sendo que metade desse montante se concentra em 1% das transações em obras de artistas blue chip, como são chamados Van Gogh, Monet, entre outros artistas consagrados mundialmente.

Pioneiro na arte cinética, em que a obra parece estar em constante movimento, Palatnik morreu no ano passado, aos 92 anos, vítima de Covid. Suas obras estão nas coleções de museus como o de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e o de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

Para escolher as obras do artista, a Hurst pesquisou o mercado durante nove meses e analisou trabalhos de 200 artistas brasileiros. “Nós auferimos que as obras do Palatnik têm se valorizado 1,3% ao mês, nos últimos 15 anos. E isso foi determinante na escolha para o lançamento do acervo”, afirma Salgado.

As três obras do artista foram adquiridas por R$ 640 mil e estão registradas por meio de tokens padrão ERC 1155, no blockchain do Ethereum. O investimento em obras de arte física via NFT ainda é incipiente. No Brasil, a Hurst Capital é a primeira empresa do mercado financeiro a oferecer esse tipo de investimento de forma acessível.

Com R$ 10 mil de investimento, quem tiver interesse pode adquirir um conjunto de token principal, que acaba representando outros três tokens, um para cada obra. Assim, quem adquire os tokens se torna coproprietário das três obras e tem direito a receber o valor de vendas de cada uma delas. Após cada obra ser vendida, seu token correspondente é eliminado.

A Hurst foi fundada em 2017 por profissionais que vieram do mercado financeiro e se dedicaram a criar tecnologia para estruturar e distribuir ativos alternativos como precatórios, recebíveis, imóveis e, mais recentemente, royalties de música. Nesses quatro anos, a fintech já originou mais de R$ 700 milhões para 3 mil investidores de 10 países.

As obras do Palatnik inauguraram o novo projeto da fintech, que pretende lançar novas obras todos os meses. “Projetamos uma rentabilidade de 17,04% ao ano, num prazo máximo de 24 meses, mas toda vez que houver uma oferta que satisfaça os requisitos de rentabilidade mínima, as obras serão vendidas. O que queremos é entregar uma boa rentabilidade para o investidor”, conclui Augusto Salgado.