Foregon cresce 86 vezes com ‘match’ entre bancos e consumidores - Crédito: Divulgação

Gustavo Marquini, CEO da Foregon – Crédito: Divulgação

Para milhões de brasileiros conseguir ter um cartão de crédito ou um financiamento aprovado é um grande desafio. Segundo a Foregon, fintech que faz a ponte entre consumidores e instituições financeiras, no Brasil, a cada 100 pessoas que solicitam um produto de crédito, 97 são recusados.

Com cada vez mais entrantes, o serviço de marketplace da Foregon ajuda o cliente a encontrar o cartão mais adequado ao seu perfil, que nem sempre é aquele que ele desejava originalmente. Já do ponto de vista das instituições financeiras, ao analisar os pedidos de cartões, a fintech as ajuda a economizar tempo e dinheiro com esse processo. Gustavo Marquini, CEO da Foregon, conta que em média apenas 2% a 3% dos pedidos de cartões são aprovados no sistema financeiro. Já na plataforma da fintech, esse percentual sobe para uma faixa entre 30% e 40%.

No portal da Foregon, por meio de consulta ao score, a partir de parceria com a Boa Vista, além de algoritmos e ferramentas, é definido qual produto se encaixa melhor com as necessidades do consumidor. O processo é simples e dura em média cinco minutos, segundo Marquini.

“Nós resolvemos dois problemas. Por um lado, ajudamos a não ter clientes frustrados por não conseguir o cartão, e por outro auxiliamos a instituição financeira, que não terá de analisar 100 propostas para aprovar somente três”, explica o executivo.

Consulta ao CPF

Para impulsionar ainda mais seu alcance e ajudar seus potenciais clientes – geralmente das classes C, D e E -, a Foregon oferece um serviço, o CPF Protegido. Gratuito, por meio dele o usuário receberá um alerta, por e-mail, quando uma empresa ou órgão consultar seu CPF e quando uma dívida for lançada ou regularizada no seu CPF.

A funcionalidade permite ainda saber qual empresa consultou o documento, valores e pendências registradas. “É uma maneira de o usuário saber quais empresas estão consultando o seu CPF e também prevenir fraudes”, assinala Marquini.

Segundo Gustavo Marquini, para um marketplace funcionar é preciso muitas opções e a Foregon tem mais de 20 instituições financeiras parceiras, o que representa 26% do market share do mercado nacional, e uma carteira de mais de 300 opções entre cartões de crédito, contas digitais e empréstimos. “No primeiro trimestre deste ano, processamos mais de meio milhão de propostas. Nosso objetivo é descomplicar cada vez mais o processo de aprovação de crédito impactando um número de brasileiros ainda maior”, ressalta.

“Temos 1,5 milhão de acessos mensais do nosso portal. São pessoas procurando dicas, procurando produtos financeiros, lendo os nossos conteúdos, consultando o seu score. Reunimos em nossa base 1,8 milhão de CPFs e, em média, temos um crescimento de 100 mil CPFs ao mês”, contabiliza.

A fintech cresce, em média, 144% ao ano e atribui o crescimento à solidez de sua estratégia. Comparando o primeiro trimestre de 2022 ao mesmo período de 2021, a empresa já cresceu 70% e em breve pretende lançar um novo produto, em parcerias com algumas instituições financeiras, que é o crédito com garantia do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Para 2023, a meta é incluir mais dois produtos no portal, voltados para o financiamento e para consórcios. “Estamos aumentando os canais para crescer o volume de usuários que acessam o portal e, cada vez mais, impactar e melhorar que as pessoas tenham processo financeiro aqui com a gente”, afirma Marquini.

Crescimento sem aportes

Sem investimentos iniciais a Foregon criou um novo modelo de negócio em meados de 2016 e estruturou uma empresa autossuficiente e sem investimentos adicionais. De lá pra cá, cresceu sua receita 86 vezes. Segundo Gustavo Marquini, a escolha foi direcionada colocando o usuário no centro de toda a operação.

“Escolhemos amadurecer a operação com sustentabilidade. Primeiro entendemos o que era sólido, o que funcionava com a validação de mercado e o que precisava ser alterado, reestruturando a infraestrutura tecnológica, por exemplo. Em 2017, nossa estratégia foi manter o negócio de pé e rentabilizar com foco no breakeven da operação. Em onze meses conseguimos equilibrar o que a gente gastava com o que a gente ganhava. Desde então, entendemos que o modelo de negócio era lucrativo” explica Gustavo.

Com a chegada da pandemia o mercado experimentou diferentes incertezas na economia e a redução de crédito foi uma delas. Com isso a Foregon surfou novamente na onda da manutenção dos seus serviços e soluções apostando em uma gestão estruturada sem almejar um crescimento agressivo, mas acima da média do mercado a cada ano.

“Aproveitamos para investir em cultura. Redesenhamos nossos valores e processos, incluímos ritos culturais e operacionais. O direcionamento foi estruturado em um planejamento estratégico com base onde queremos estar daqui a cinco anos. Temos metas claras e objetivos entre equipes focadas no negócio”. Gustavo finaliza dizendo que não descarta a possibilidade de investimentos, porém, reforça que é muito mais confortável expandir com a casa em ordem e lucrativa.