Ministro Luiz Fux, presidente do STF

Ministro Luiz Fux, presidente do STF Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As reações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, e do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aos discursos do presidente da República nas manifestações do 7 de setembro, mantiveram a pressão no mercado nessa quarta-feira, 8, quando os investidores estão atentos à crise institucional agravada pelo chefe do Poder Executivo.

Entre ataques aos ministros do STF, Alexandre de Morais e Luís Roberto Barroso e ameaças ao ministro Fux, Bolsonaro disse ainda que não vai mais cumprir as decisões de Moraes, declaração que foi alvo do ponto mais forte do discurso de resposta do ministro Luiz Fux hoje.

“Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do Chefe de qualquer dos Poderes, essa atitude, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional”, afirmou Fux.

“Este Supremo Tribunal Federal jamais aceitará ameaças à sua independência nem intimidações ao exercício regular de suas funções. Ninguém fechará esta Corte. Nós a manteremos de pé, com suor e perseverança”, ressaltou o ministro.

Fux também defendeu que “ofender a honra dos Ministros, incitar a população a propagar discursos de ódio contra a instituição do Supremo Tribunal Federal e incentivar o descumprimento de decisões judiciais são práticas antidemocráticas e ilícitas, que não podemos tolerar em respeito ao juramento constitucional que fizemos ao assumir uma cadeira na Corte”.

Após a fala de Fux, a Bolsa chegou a bater os 114.179 pontos, com perdas superiores a 3%, mas logo o Ibovespa voltou a se estabilizar entre -2,5% e -2,9% de desvalorização. O dólar subiu a R$ 5,27.

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que não admitirá questionamentos sobre o que chamou de “decisões tomadas e superadas” – citando a pauta do voto impressa, derrotada no Congresso Nacional, e defendeu a reabertura do diálogo entre os Três Poderes. Contudo, Lira sequer citou a possibilidade de impeachment, algo que foi implicitamente sugerido por Fux quando este falou em “crime de responsabilidade” de Bolsonaro.

No Senado, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), decidiu suspender todas as sessões do plenário e de todas as comissões, paralisando inclusive a tramitação de projetos que interessam ao governo.