Aloísio Corrêa, CEO da Galgo, em live

Aloísio Corrêa, CEO da Galgo S.A. Crédito: Divulgação

A Galgo, empresa responsável por administrar sistemas de informação da indústria de capitais, se prepara para lançar um novo produto com foco nos cerca de 700 gestores de fundos em atuação no mercado brasileiro.

Trata-se de uma plataforma para operações de compra e venda de cotas de fundos, a Border Pro, que tem a mesma lógica do principal produto da empresa, o Sistema Galgo, que hoje detém 85% dos fundos de investimento em sua base e uma carteira de 122 clientes que dominam esse mercado.

Durante 10 anos, o Sistema Galgo reinou quase absoluto no mercado, mas os desafios que surgiram a partir das inovações tecnológicas e da revolução vivenciada pelo sistema financeiro, com o surgimento de milhares de startups e fintechs, fizeram a empresa investir em novos produtos e clientes.

“Estamos vivendo um mundo bastante desafiador, a Galgo hoje não tem um concorrente direto, mas eu sempre provoco a minha equipe ao dizer que, se ficarmos parados, acreditando que temos a garantia de 85% do mercado, amanhã nasce uma fintech que vai fazer melhor e mais barato”, incita Aloísio Corrêa, CEO da Galgo S.A.

A história do Sistema Galgo começou em 2008, muito antes da criação da empresa, por uma necessidade identificada na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em um cenário que apresentava ausência de padronização, excessivas intervenções manuais e soluções individualizadas e independentes. As instituições que prestam serviços para os fundos de investimento começaram a perceber a necessidade de uma solução que pudesse padronizar a troca de informações que são feitas diariamente e promover a integração sistêmica entre os fundos.

O início

A operação envolveu Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, BTG Pactual, Banco do Brasil, Citibank, Deutsche Bank, BNY Mellon, Votorantim Asset Management, BNP Paribas Brasil, Caixa Econômica Federal, BM&FBovespa, hoje B3, e a própria Anbima. Na época, foi formada uma espécie de condomínio entre as instituições financeiras e a associação e, a partir de uma concorrência no mercado, a IBM foi escolhida para o desenvolvimento da plataforma.

Depois de três anos de trabalho, em 2011, foi lançado o Sistema Galgo, mas a criação da empresa já estava sendo preparada. Em 2015, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade), Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Galgo S.A., uma sociedade por ações de capital fechado, foi lançada oficialmente.

Hoje, a Galgo atende também Banco Safra, JP Morgan, Credit Suisse, Banco Fator, Banco Inter, entre outras tantas instituições, que não são acionistas. “Quando a empresa Galgo nasceu, ela tinha 55 instituições utilizando a plataforma, hoje são 122, incluindo Nubank, C6 Bank, XP, Órama. Todas as distribuidoras de fundos hoje, ou a grande maioria, estão na plataforma”, comemora o CEO da Galgo.

Novo produto para gestores

“Nos últimos anos, percebemos um boom nas plataformas de distribuição e isso é bom para a Galgo, porque, se somos uma empresa cujo negócio é oferecer integração, padronização, eficácia, racionalização de processos, o que está acontecendo nesse mundo de distribuição de fundos é a mesma coisa que acontecia há dez anos, cada um mandando um tipo de e-mail, sem padrão na informação”, analisa Aloísio Corrêa.

Neste cenário, a empresa lança até o fim deste ano o Border Pro, desta vez desenvolvido pela alemã GFT. O nome do produto, alusão a uma raça de cães como o do sistema pioneiro, Galgo, é inspirado nas características das raças, como rapidez, inteligência e confiabilidade. O PRO vem da sigla de Plataforma de Roteamento de Ordens. “Estamos desenvolvendo uma plataforma que integra gestores, administradores, custodiantes. Depois da compra ou venda dos ativos, o processo operacional acontece dentro da plataforma”, explica o CEO.

“A cozinha da indústria de fundos é muito dinâmica, cheia de fluxos operacionais. O sistema Galgo atende a um conjunto de fluxos, a nova plataforma vem atender a um outro conjunto de fluxos. Optamos por fazer em uma tecnologia mais moderna, já em nuvem, usando conceitos de desenvolvimento mais avançados”, complementa Corrêa.

Open Investment

Segundo Aloísio Corrêa, já existe uma discussão em torno do conceito de Open Investment, capitaneada pela Anbima junto ao Banco Central, que tem a mesma lógica da troca de informações entre pessoas e instituições.

“Essas discussões ainda estão muito embrionárias, mas eu vejo como uma oportunidade para a Galgo. Já somos uma plataforma, uma rede, dependendo da informação que se queira facilitar a troca, o Sistema Galgo e a Border Pro podem ter uma boa oportunidade nesse sentido”, antecipa.