Ministro da Economia, Paulo Guedes - Crédito: Billy Boss/Câmara dos Deputados

Ministro da Economia, Paulo Guedes – Crédito: Billy Boss/Câmara dos Deputados

O ministro da Economia, Paulo Guedes, não quis detalhar na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, 23, o patrimônio que tem no exterior nem a rentabilidade desses investimentos. Segundo ele, essas informações são particulares e repassadas às instâncias de fiscalização do governo.

Paulo Guedes foi convocado pelas comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Trabalho, Administração e Serviço Público para explicar a propriedade de uma empresa no nome dele nas Ilhas Virgens Britânicas. Esse local é considerado um paraíso fiscal pela Receita Federal porque tem uma tributação muito baixa ou nenhuma tributação.

A existência da offshore de Paulo Guedes, bem como do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi revelada em outubro por uma série de reportagens chamada Pandora Papers. As reportagens foram conduzidas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Decisão pessoal

Guedes disse que tomou uma “decisão pessoal” em 2014 de abrir a empresa para ter uma parte dos recursos da família no exterior e que isso é “absolutamente legal”. “Por razões sucessórias, se você quiser investir alguma coisa, por exemplo, nos Estados Unidos, se você tiver uma conta em nome de pessoa física, se você falecer, 46 ou 47% são expropriados pelo governo americano. Todo o seu trabalho de vida, em vez de você deixar para um herdeiro ou para algum familiar, vira imposto sobre herança. Então, o melhor é usar uma offshore”, afirmou.

Guedes afirmou que não acompanha a rentabilidade dos investimentos e que as informações não devem ser públicas por uma questão de segurança. “Eu resolvi esse problema financeiro meu. Então, eu não me preocupo se eu estou assim, se estou assado. Se eu melhorei, se eu piorei. Eu faço as declarações, entreguei tudo para os órgãos. Está tudo entregue para a Comissão de Ética da Presidência da República, para a Receita Federal, para o Banco Central”, disse.

Comissão de ética

O ministro foi questionado sobre quando ele saiu da direção da empresa, entregando a administração para terceiros, e sobre a permanência da filha dele na diretoria. Os deputados também perguntaram quanto deixou de ser pago em impostos no Brasil.

Guedes reforçou que entregou as informações para a Comissão de Ética do governo. Ele rebateu as acusações de que tenha tomado decisões que favorecessem as aplicações em outras moedas. Disse que as oscilações mais altas do dólar estão ligadas a fatos políticos ou à evolução da pandemia. E negou que tenha negociado a retirada da taxação das empresas em paraísos fiscais da reforma do Imposto de Renda.

(com Agência Câmara de Notícias)