Guru se estrutura para ser a Robinhood brasileira - Crédito Divulgação

Tom Bernardes, CTO; Felipe Catão, CEO e Marcelo Zuppardo, CMO – Crédito divulgação

Nem bem iniciou as operações de vendas de produtos de renda variável, a Guru já se prepara para expandir as operações para compra e venda de criptoativos e compra e venda de ações no mercado americano. A fintech de investimentos aposta em tecnologia e design para simplificar o investimento em ações e desafiar as corretoras tradicionais. A empresa acaba de receber aporte de R$ 12 milhões e quer ser a corretora da nova geração de investidores.

A nova rodada de captação foi liderada pela Turim MFO, MultiFamily Office independente. Trata-se do primeiro investimento estratégico da Turim com a participação de sócios e clientes. Também participaram da rodada o Discovery Ventures, fundo alemão dos fundadores da SumUp e investidores do Trade Republic, e o Norte Ventures, founders fund, que possui como investidores os fundadores de empresas como iFood, Gympass, MaxMilhas, entre outros; além de investidores anjos com experiência no mercado financeiro. Em 2019, a fintech já havia captado R$ 2,5 milhões.

Os recursos serão utilizados para acelerar o crescimento e expandir a oferta de serviços no app, cujo público-alvo é o jovem investidor a exemplo de empresas como a americana Robinhood e a alemã Trade Republic, cases mundiais de como a tecnologia pode facilitar e democratizar o acesso ao investimento na bolsa de valores.

“A Robinhood foi a primeira a não ter taxa de corretagem nos EUA, mas não só isso, tem um aplicativo que é muito diferente do que há no mercado. Eles fazem um pre trade muito bom com informações, dados, gráficos tudo muito simples. O pos trade é muito bom assim como a experiência de compra que é muito simples. A Guru nasceu muito focada em renda variável”, observa Marcelo Zuppardo – Co-founder e CMO.

Criada em 2019 por Felipe Catão e Tom Bernardes, dois profissionais com experiência no mercado financeiro, e pelo publicitário Marcelo Zuppardo, a empresa iniciou operações em maio de 2020 com foco em agregador de investimentos. Em abril de 2021 lançou uma lista de espera para aplicação de investimentos que já tem 20 mil pessoas. Desde julho vem abrindo as contas desses investidores.

“No início vimos que seria complexo virarmos uma corretora. Entramos no programa de aceleração do escritório Pinheiro Neto que nos ajudou a achar uma estrutura regulatória emulado uma corretora a partir de uma parceria com a Ideal CTVM, que não opera com pessoa física, o que vamos fazer agora”, explica Zuppardo.

O foco é em ativos negociados na B3. A empresa disponibilizou a opção de compra e venda de ações sem corretagem e sem depósito mínimo, por meio de uma parceria com a Ideal CTVM.

No Brasil, apesar do salto de 800 mil para 3,7 milhões de investidores pessoa física cadastrados na B3 nos últimos anos, menos de 2% dos brasileiros investem em ações. Este aumento foi puxado, principalmente, pela entrada de investidores com menos de 35 anos. Foi pensando em criar uma experiência para atender a demanda desta nova geração que surgiu a Guru.

Com mais de 300 mil usuários, além de poder investir pelo celular como quiser e de onde estiver, no Guru App, o investidor pode acompanhar a sua rentabilidade, cotações, gráficos, notícias e indicadores em tempo real de forma simples e intuitiva.

“A Guru é remunerada por serviços premium como ver a rentabilidade histórica da carteira, análises de preços etc.. Vamos ganhar no volume e com a movimentação que os investidores fizerem seremos remunerados. A corretora ganha com volume e em abertura de conta, numa aposta de longo prazo”, diz Zuppardo.

Eles diz que uma das possibilidades de remuneração é o modelo do Robinhood que ganha por venda do fluxo de ordens (pedido de compra e venda) para os HFT (High Frequency Trading), os operadores de alta frequência. No Brasil o o conceito de HFT é o de Retail Liquidit Provide (RLP). A corretora pode internacionalizar as ordens, garantindo sempre o melhor preço e liquidez, ou se envia direto para a Bolsa. “Por enquanto isso só vale para contratos futuros que não operamos ainda”, explica Zuppardo.

Por enquanto, a Guru atua como agente autônomo da Ideal CTVM oferecendo a comercialização de ações, FIs, BDR, ETFs, a fim se se tornar um hub de venda variárvel. Até o final do ano ou início de 2021, a empresa pretende oferecer operações com criptomoedas e ações americanas.

“Estamos nos estruturando para operar internamente com compra e venda de criptomoedas. Hoje já é possível comprar ações americanas via BDRs, mas é pouco utilizado. Vamos operar compra e venda de ações nas bolsas americanas por meio de contratação de serviços de Brocker as a Service e com uma corretora parceira no Brasil. Será um projeto para 2021”, sinaliza o CMO da Guru.