Dr. Mauro Oscar - Crédito: Elvira Nascimento

Hospital combate infecção com robô Laura

por | 15 jul 2021 | SAS, Tecnologia e Inovação

Dr. Mauro Oscar - Crédito: Elvira Nascimento

Dr. Mauro Oscar – Crédito: Elvira Nascimento

A Fundação São Francisco Xavier, braço social da Usiminas nas áreas da saúde e educação, implementou o robô Laura no Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro para a prevenção e controle de infecções hospitalares. O robô Laura foi criado pelo analista de sistemas Jackson Fressato, que em 2010 perdeu sua filha vítima de sepse com apenas 18 dias de vida. Trata-se de um programa de computador com recursos de inteligência artificial que gerencia riscos, classificando os sintomas dos mais aos menos críticos.

O objetivo é reduzir a mortalidade por sepse, mais conhecida atualmente por infecção generalizada, que é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção.

O Dr Mauro Oscar Soares de Souza Lima, diretor de hospitais da Fundação São Francisco Xavier, explica que o Hospital Márcio Cunha é de alta complexidade e referência para o leste de Minas Gerais e para o Brasil. São quase 550 leitos, 35 mil internações por ano, seis mil partos, 400 mil atendimentos ambulatoriais por ano. “Com esse volume de trabalho consideramos que precisávamos de outras ferramentas que nos auxiliasse na gestão do dia a dia”, diz Dr Lima.

Ele explica que trouxe a Laura para incluir a Inteligência Artificial nos processos do hospital, e auxiliar na prevenção da sepse, doença extremamente grave, com uma taxa de mortalidade de 46%, segundo o Instituto Latinomericano de Sepse.

Além de aplicar os protocolos, quanto mais precoce ser faz o diagnóstico maior é a sobrevida dos pacientes.

“A cada 3,8 segundos a Laura faz a leitura e análise de todos os exames de todos os pacientes internados e que estão em atendimento, e dos dados vitais desses pacientes. Por meio da análise, o robô dá alerta às equipes dos casos mais prováveis de estarem apresentando quadro de sepse com base numa classificação de risco. Assim nos auxilia na detecção precoce e permite que fechemos o diagnóstico e iniciemos o tratamento”, esclarece o Dr Lima.

Agora o Hospital também vem desenvolvendo a própria inteligência artificial para outras aplicações como prevenção e identificação de patologias e avaliação de desempenho. O primeiro projeto está previsto para outubro para beneficiar inicialmente o paciente.

“Nossa intenção é mapear toda a jornada do paciente e, em cada ponto de contato dele com nosso sistema de saúde, obter os dados e as informações, para alimentarmos nosso algoritmo a fim de para começar a exercitar outras aplicações. Queremos passar de ser apenas reativo para sermos proativos e preventivos”, afirma Dr Lima.

Ele observa que a pandemia acelerou muitas inovações, especialmente nas áreas de saúde e educação. Na sua avaliação, os modelos híbridos têm grandes chances de permanecer após a pandemia.

“Cresceu o número de healthtechs. Além da inteligência artificial, ampliaram-se as discussões sobre a telessaúde, incluindo a telemedicina. Temos no hospital um setor de inovação, medicina e pesquisa que fica ligado nas inovações, seja via inovação aberta ou interna. E realizamos prospecção de startups e hackathons”, conclui Dr Lima.