Ricardo Saponara, Head de fraud & security intelligence para América Latina do SAS - Foto: Divulgação

Ricardo Saponara, Head de fraud & security intelligence para América Latina do SAS – Foto: Divulgação

A inteligência artificial está longe de ser mágica, apenas dá velocidade e automatiza análises. Se a compreensão do problema estiver errada, a empresa vai errar em maior velocidade e volume. Durante a pandemia, alguns sistemas antifraude tiveram de ser desligados porque houve uma mudança drástica de comportamentos dos consumidores gerando falsos alerta. É preciso também evitar vieses de raça, idade e gênero para que o algoritmo não perpetue preconceitos. Essas foram algumas questões debatidas no painel “As ferramentas de IA e Analytics alavancando os negócios financeiros”, que abriu os debates do Digital Money Meeting, evento promovido pela Momento Editorial.

Bruno Chan, CEO da Klavi, explicou como a empresa desenvolve modelos para análise de crédito, capturando dados financeiros das pessoas de forma a ajudá-las a terem acesso a crédito mais barato. “Temos uma parceria com player grande de IA na China, a Port Paradise, uma das maiores startup de IA do país, que já trabalha com bancos aplicando técnicas de IA especificamente para antifraude”, diz Chan.

Bruno Chan, CEO da Klavi - Foto: Divulgação

Bruno Chan, CEO da Klavi – Foto: Divulgação

Ricardo Saponara, head de fraud & security intelligence para América Latina do SAS, lembrou que o SAS tem uma experiência de 40 anos e praticamente criou o conceito de analytics. Sempre ofereceu plataforma para transformar dados em conhecimento com soluções de Big Data, IA, machine learning.

“A área que trata de todos os temas de prevenção à fraude e à lavagem de dinheiro, faz esse trabalho há mais de 20 anos, logo após o 11/9. Atendemos não apenas o setor financeiro, mas também governo, telecomunicações energia e varejo. A AI consegue traduzir numa fórmula matemática o conhecimento daquele analista de prevenção à fraude, garantindo que o conhecimento não se perca, caso ele deixe a empresa”, diz Sapora.

Robert Duque-Ribeiro, diretor executivo e líder da Accenture Analytics para Brasil e América Latina, diz que a área de IA conta com um grupo de 750 pessoas na América Latina. Para ele, os times no Brasil são muito diferenciados e criativos devido a várias mudanças por que o país passou. Mas alerta que IA deve ser entendida como um conceito de amplificação de inteligência, em vez de substituição do trabalho humano. “Tem várias pessoas usando agentes de IA sem saber como eles foram feitos. O ferramental é tão rápido em criar novos modelos que os fundamentos estatísticos da base podem dar problemas. É preciso ter certeza do que está querendo fazer”, alertou Ribeiro.

Robert Duque-Ribeiro, Diretor executivo e líder da Accenture Analytics para Brasil e América Latina - Foto: Divulgação

Robert Duque-Ribeiro, Diretor executivo e líder da Accenture Analytics para Brasil e América Latina – Foto: Divulgação

Ricardo Saponara, observa que muitas vezes há uma tentativa de se usar modelos preditivos de maneira generalizada, o que acaba gerando falsos positivos. É preciso criar capacitação dentro das empresas, pois as fraudes ocorrem de um dia para o outro. “Não dá para achar que basta plugar na tomada que vai funcionar”, diz Saponara.

Robert Duque-Ribeiro citou o caso de um cliente que teve de interromper o sistema antifraude devido a falsos positivos após a pandemia, porque muitos clientes mudaram drasticamente seus hábitos de consumo. “Eles tiveram de parar para não impactar o consumidor e passaram a fazer algumas coisas manuais. IA não é mágica, não existes “magic learning”. Se você pega o passado para prever o futuro e o padrão muda, algo vai dar errado”, diz Ribeiro.