Ibovespa fecha em queda de 3% e dólar chega a R$ 5,40- Crédito: Freepik

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O risco global de inflação e a crise energética impactaram no desempenho das Bolsas no mundo todo, que fecharam em queda, nesta terça-feira, 27. O Ibovespa caiu 3%, voltando à faixa dos 110.176,96 pontos, enquanto o dólar fechou a R$ 5,40, o maior patamar em quase cinco meses, após registrar a maior alta diária em quase três semanas.

Os três principais índices de ações dos EUA caíram quase 2% ou mais, com papéis ligados ao setor de tecnologia, sensíveis à taxa de juros, exercendo a maior pressão negativa sobre o mercado geral.

O Dow Jones caiu 1,62%, para 34.304,21 pontos; o S&P teve queda de 2,03%, para 4.352,77 pontos, e o Nasdaq recuou 2,81%, a 14.549,56 pontos.

Os três riscos que mais impactaram os mercados no país, segundo especialistas, foram decorrentes do aumento nos preços de combustíveis e energia, problemas fiscais relacionados ao possível prolongamento do auxílio emergencial e a própria inércia da inflação.

A crise de energia no Brasil tem sido agravada pela seca, que reduziu a capacidade de geração das hidrelétricas, além de investimentos defasados também relacionados à reorganização do setor de óleo e gás.

Para analistas, o desempenho do Ibovespa está em conformidade com as quedas assistidas hoje no mercado internacional decorrentes dos problemas da crise de energia da China e as tensões entre Rússia, Alemanha e EUA, o que poderá contribuir para diminuir ainda mais a oferta de gás na Europa.

No momento em que o mundo tenta se recuperar do choque da pandemia, a economia global enfrenta agora uma séria ameaça de escassez de energia com perspectivas de alavancar a inflação e afetar a as cadeias produtivas.

Além do impacto decorrente da incorporadora Evergrande sobre os setores imobiliários e financeiros, a crise energética da China preocupa investidores. Cerca de 20 províncias chinesas, que representam 66% do PIB do país, adotaram alguma forma de racionamento de energia, conforme analistas.

A Europa vive uma crise de energia jamais imaginada, com limitado suprimento de gás vindo da Rússia e da Noruega, que tudo leva a crer se agravará com o inverno.

Os preços da energia estão subindo em um momento em que líderes mundiais buscam por um acordo climático mais potente na reunião COPE-26, que será realizada na Escócia, em novembro de 2021.