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Foto: divulgação

Há um caroço de juros que beira a 12%, em 2021, e que se estenderá para o próximo ano, mas depois dessa onda de juros altos a tendência será aterrissar em 7% de taxa de juros nominal ao ano, afirmou Gustavo Franco,  economista e ex-presidente do Banco Central, durante evento virtual da Totvs realizado hoje. “É claro que haverá uma contração na economia para poder neutralizar as pressões inflacionárias.”

A maior parte dos economistas já previa, segundo ele, que a inflação chegaria ao patamar próximo a 10% no acumulado de 12 meses. Comparada a inflação que enfrentou quando estava a frente do Banco Central, a de hoje é considerada moderada.

O cenário inflacionário do país, segundo ele, é muito diferente do que ocorreu no passado. “Houve uma melhoria do ambiente de empreendedorismo no Brasil e isso tudo tem a ver com o sucesso brasileiro no combate a inflação. O cuidados agora têm de ser redobrados para não estragar o que foi feito”, disse.

Franco aposta que a transição política com as próximas eleições ocorrerá de forma mais branda, uma vez que os dirigentes do Banco Central permanecerão por mais dois anos no governo e controlarão qualquer acidente de percurso.

Desequilíbrio fiscal

Alexandre Schwartsman, economista e consultor, chamou atenção para a recente aprovação na Câmara dos Deputados da Pec dos Precatórios que se traduz na realidade em uma permissão para aumentar os gastos do Governo Federal em torno de R$ 100 milhões no próximo ano.

Na sua opinião, o momento não é trivial para gastos públicos e isso acaba se refletindo, também, na dificuldade de controlar a inflação. “Mesmo com os juros mais altos, 11% a 12%, vamos terminar o ano com inflação acima de 10%. A questão é que quando se olha para frente as expectativas de inflação para o ano que vem já estão acima de 5% e as para 2023 subirão além da meta”, observa.

Tudo isso sugere a existência de um fenômeno inflacionário persistente, que segundo Schwartsman, não está ligado a desorganização das cadeias produtivas. “Trata-se de um desequilíbrio fiscal não cuidado que se manifesta, entre outras coisas, com um dólar muito caro que está por trás do aumento de preços e temos que lidar com isso.”

Segundo ele, a política monetária tem um papel, porém o Banco Central está sozinho nessa luta. “O BC  precisaria mais do que nunca de um auxílio do lado do controle de gastos públicos e o que vemos é justamente o contrário.”

“A expectativa do mercado é que esse patamar de juros não dure indefinidamente, uma vez que ele está ligado à necessidade de trazer a inflação de volta para a meta de 2023. Momento em que o custo de capital vai permanecer elevado”, diz Schwartsman.

Do ponto de vista de consumidores, o encarecimento do crédito e a atratividade maior do investimento financeiro significa que em 2022 o consumo deverá ter um crescimento ainda mais moderado do que o deste ano.