Sede do Banco Central em Brasília vista de baixo. Crédito: Flickr BC

Sede do Banco Central em Brasília – Crédito: Flickr BC

As instituições financeiras devem seguir atentas aos volumes mensais de concessão de crédito, seja no crédito imobiliário, que mantém patamares elevados ou no financiamento de veículos, principalmente usados, onde tem-se observado alongamento dos prazos e elevação do percentual do valor do bem financiado. O alerta consta da ata da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central, divulgada nesta quarta-feira, 8, pela autoridade monetária.

“O Comef avalia que é importante que os intermediários financeiros continuem preservando a qualidade das concessões”, ressalta o texto, lembrando que o apetite ao risco das instituições financeiras tem aumentado em algumas modalidades de crédito para famílias.

O Banco Central seguirá mantendo o monitoramento do crescimento do crédito e o Comef recomenda que as instituições financeiras mantenham prudência na política de gestão de capital. “É importante que, ao longo de 2021 e 2022, as IFs destinem os lucros de forma conservadora e alinhada às incertezas presentes no atual momento econômico”, diz a ata da última reunião do Comitê, realizada em 31 de agosto.

O Comitê avaliou ainda que o aumento recente da inflação em economias avançadas deve levar a alta de juros nesses países e afetar de forma negativa o fluxo de investimentos nos países emergentes. “A inflação permanece elevada nas principais economias, acentuando os riscos de aperto das condições monetárias globais e de correção de preços de ativos financeiros. Movimentos intensos e abruptos de reprecificação de ativos podem ter efeitos negativos para os fluxos de investimentos para economias emergentes”, diz o documento.

O comitê avaliou, no entanto, que a exposição do sistema financeiro à variação cambial é baixa porque a dependência de financiamento externo é pequena.

Política macroprudencial

O Comitê de Estabilidade Financeira avaliou também que a política macroprudencial atual segue adequada, sem necessidade de ajustes no curto prazo. Nesse sentido, não há mudança no cronograma de retorno da parcela do Adicional de Conservação de Capital Principal (ACPConservação) dos bancos – iniciado em abril com conclusão prevista para março de 2022.

“Essa política é compatível com o ritmo de crescimento do crédito e com a expectativa de continuidade desse movimento. Não obstante, o dinamismo de diversas modalidades de crédito segue sendo monitorado de perto pelo BC. As informações disponíveis indicam que os preços dos ativos continuam se comportando em linha com os fundamentos econômicos”, destacou a ata.