Painel no Digital Money Meeting abordou a relação de investidores com as start ups - crédito: TV DMI

Painel no Digital Money Meeting abordou a relação de investidores com as start ups – crédito: TV DMI

O investidor está bem mais cauteloso e pagando menos, e não seria diferente em relação às start ups. Os motivos estão no turbulento cenário econômico brasileiro e externo. Foi o que deixaram claro os participantes do painel “Os investidores e o ecossistema de start ups” nesta quinta, 26, no Digital Money Meeting. “Investidor não é anjo que pega start up no colo”, disse Fábio Póvoa, sócio e investidor líder à frente da Smart Money Ventures, um dos convidados do evento, para resumir a situação.

“Os investidores já estão receosos. Uma coisa é trabalhar com a Selic a 2,5. Com 12, 13% fica difícil. O impacto está acontecendo e tende a piorar. Tem as questões de petróleo. E essas macro questões inflacionárias devem piorar com o cenário eleitoral”, avaliou Póvoa.

Mas não se mostrou alarmado. “Com nossos cabelos brancos, já passamos por muitos momentos como este. É cíclico. Até a covid tem ondas. Fazemos cerca de 4 investimentos por ano (em start ups). Hoje recebemos um volume grande de conteúdo e somos obrigados a fazer seleção e engajamento maiores. Mas é uma seleção que acontece de forma natural”, falou o sócio da Smart Money Ventures.

Pedro Bramont, diretor de negócios digitais do Banco do Brasil, segue a mesma linha. “Continuamos falando com startups, mas é o momento de corrigir operações em vez de colocar uma nova avenida. Se a captação for para um atual negócio, por exemplo, é hora de postergar o crescimento”, disse.

Já o CEO da Bossanova Investimentos, João Kepler, vê o cenário atual com mais naturalidade. “Estamos mais seletivos, mas não diminuímos os investimentos, até porque são de longo prazo, sempre por 10 anos”, falou. “Vejo muito do medo do mercado norte-americano. Lá, qualquer possibilidade de abalo, já fica com medo. Mas o Brasil já faz mais com menos há muitos anos”, continuou.

Vinícius Fontes, líder de inovação e ventures na Accenture para a América Latina, tem posicionamento ainda mais tranquilo, apesar do cenário desfavorável. “Neste momento, investimos muito com a receita do cliente. Isso dá conforto para as empresas se replanejarem”, pontuou.

Recomendações

Os especialistas apresentaram suas recomendações às startups brasileiras, que em 2022 já captaram US 2,3 bilhões. Fábio Póvoa disse que é essencial investir em capacitação.

“Educação financeira e empreendedorismo deveriam ser mandatórios na escola. Tem jovem se formando que não aprende a mecânica básica do mercado. Considero isso uma nova versão de analfabetismo”, afirmou. “Muito investidor se educa vendo stories e dando like no Instagram”, provocou. “Mas tem que fazer mais com menos. Investidor não é um anjo que carrega start up no colo”, completou.

Póvoa mostrou que sua empresa é rigorosa com quem seleciona para investir. “Não somos cheque especial de start up. Se não fez certo, cortamos no dia seguinte”.

E concluiu sua apresentação com mais orientações. “O desafio é quando a start up começa a balançar. É aí que você separa os garotos dos homens. O empreendedor precisa cortar custos. Então ele minimiza, demite gente, mas o cenário é mais complexo. É mais do que cortar cabeças. Demitir é muito fácil. Difícil é manter o moral depois disso.”

Já para Pedro Bramont, do Banco do Brasil, essencial é ter um bom parceiro, investidor de start ups, que queira construir junto. “Isso é melhor do que ter um milhão de reais a mais. E ser open mind: ouvir o que uma empresa tem para ajudar. Nós, aqui, deixamos claro como podemos contribuir. É melhor não investir do que investir e depois ficar brigando.”