Interior da B3

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A B3 registrou, desde 2020, um crescimento de 500 mil novos investidores por semestre que, em 12 meses, representou alta de mais de 42%. Os dados foram divulgados pela B3 nesta quarta-feira, 11, em coletiva de imprensa.

A bolsa fechou o mês de julho deste ano com 3,8 milhões de contas de pessoas físicas, com 3,2 milhões de CPFs, que investem R$ 545 milhões no mercado brasileiro, cifra 55% superior à registrada no mesmo período de 2020. Já o volume de negócios diários em renda variável subiu 26% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 14 bilhões.

Os valores de investimento inicial, no entanto, têm diminuído consideravelmente, de acordo com as informações disponibilizadas pela bolsa brasileira. Desde 2020, os números de novos investidores por mês na B3 superaram os 100 mil investidores e, em junho de 2021, a mediana de primeiro investimento foi de R$352. Esse valor correspondia a R$ 4 mil em julho de 2018 e a R$ 1.622 em janeiro de 2020.

“Fazendo um raio-x dos 104 mil investidores que entraram em junho, com mediana de R$ 352, observamos que a maior parte entrou com investimentos ainda menores, na faixa até R$200”, revela Felipe Paiva, diretor de Relacionamento e Pessoa Física da B3.

Mulheres e jovens

O perfil de gênero dos investidores em equities mudou pouco ao longo dos anos, apesar da entrada de mais mulheres nos últimos períodos, a proporção entre homens e mulheres se mantém praticamente constante ao longo dos anos, com aumento de 3 pontos percentuais desde 2013. Com 500 mil investidores pessoas físicas registrados em 2013, a proporção era de 74% de homens e 26% mulheres. Hoje, esse percentual está em 71% e 29%, respectivamente.

Mesmo em minoria, as mulheres fazem o primeiro aporte com ticket mediano superior ao dos homens, sendo R$ 481 contra R$ 303. Historicamente, as investidoras entram com valores maiores. Em 2014, por exemplo, a média do valor inicial das mulheres era de R$ 6 mil, versus R$ 4 mil dos investidores do sexo oposto.

A faixa etária nos investidores entrantes na bolsa teve evolução nos últimos anos. A maior parte dos investidores, 50%, entra na bolsa na faixa de 25 a 39 anos, bem diferente dos 2% registrados em 2013.

De acordo com o executivo, os dados também confirmam a chegada de investidores mais jovens e de fora do eixo Rio-São Paulo. “Pessoas cada vez mais jovens e de outras regiões do país vêm percebendo as oportunidades de investir na bolsa e se dando conta de que podem começar com valores que cabem no bolso. Com mais opções de diversificação na carteira é possível se planejar para atravessar as oscilações do mercado rumo a novas fontes de rendimento”, explica Paiva.

O estudo da B3 traz dados demográficos indicando que, apesar de o Sudeste do país concentrar o maior número de investidores, as demais regiões têm apresentado maior aumento relativo na comparação entre 2018 e 2021. As regiões Norte e Nordeste cresceram 575% e 486%, respectivamente.

Crescimento dos BDRs e ETFs

As ações e os fundos imobiliários são os principais produtos de entrada desse investidor. Cada um desses produtos recebeu 38% e 56% mais investidores, consecutivamente, no primeiro semestre desse ano, em relação a 2020. Já os ETFs e os BDRs cresceram 104% e 2.982% em número de investidores, respectivamente, no período.

A evolução do comportamento dos investidores registra o interesse por novos produtos ao longo do tempo. O volume médio diário negociado de BDRs, por exemplo, totalizou R$ 166 milhões, um salto de 2.827% sobre o período equivalente de 2020.