Ipea prevê inflação perto de 10% em 2021

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Diante da forte pressão de preços no país e global, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que a inflação para 2021 e 2022 no Brasil chegue próximo de 10%, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira, 24.

Conforme o instituto, a inflação mais alta é um fenômeno mundial nesse cenário de pandemia. Em se tratando de questões internas, no entanto, como crise hídrica e aumento do custo da energia ajudam a impulsionar os preços no Brasil.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de acordo com o instituto, deve fechar este ano com alta acumulada de 9,8%, contra taxa de 8,3% prevista em setembro. O resultado fica bem acima do teto da meta oficial para este ano, de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Com relação ao dados do IPCA de outubro, houve um disparou 10,67% no acumulado em 12 meses, taxa mais acentuada desde janeiro de 2016 (+10,71%).

Para 2022, embora seja esperada desaceleração em relação à taxa de inflação deste ano, a projeção do Ipea para a alta dos preços subiu a 4,9%, de 4,1% antes, fora do centro da meta, que neste caso é de 3,5%, com margem também de 1,5 ponto.

“O recuo esperado da inflação em 2022 está balizado na estimativa de acomodação dos preços do petróleo, ainda que em patamar elevado, à baixa probabilidade de efeitos climáticos intensos e à projeção de um aumento de 7,8% da safra brasileira, que devem gerar uma pressão menor sobre combustíveis, energia elétrica e alimentos”, explicou o Ipea em comunicado divulgado nesta quarta-feira.

O instituto destacou ainda que, apesar dos efeitos positivos sobre a demanda doméstica da retomada mais forte do mercado de trabalho e da implementação do Auxílio Brasil, as variações dos preços de bens e serviços no próximo ano devem ser atenuadas pela sinalização de continuidade da trajetória de alta dos juros.

Do lado externo, o Ipea disse que os riscos inflacionários seguem associados à possibilidade de novas acelerações nos preços de commodities.

Já internamente pesa a percepção de alguma fragilidade fiscal, além da instabilidade política diante do processo eleitoral, “cujos efeitos podem desencadear um novo ciclo de desvalorização cambial”, completou o Ipea.

(Com assessoria)