Cartão ultravioleta do Nubank - Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

O Nubank evoluiu em sete anos de uma fintech a um dos maiores emissores de cartão de crédito da América Latina, agora à beira de um IPO que pode torná-lo o maior banco listado da região.

Mas o cartão de crédito sem taxas exclusivo da Nubank não só atraiu 48 milhões de clientes, principalmente entre os brasileiros acostumados a cobranças pesadas, como também gerou uma série de imitações entre os concorrentes que agora ameaçam derrubá-lo de sua posição.

No prospecto de sua oferta pública inicial (IPO) da Bolsa de Valores de Nova York, Nubank disse que um de seus desafios é aumentar o número de produtos vendidos por cliente.

Os maiores bancos do Brasil geram receita anual por cliente a uma taxa dez vezes maior que a do Nubank, disse a fintech. Ao todo, cerca de 15 concorrentes, incluindo bancos tradicionais como o Itaú Unibanco e outras fintechs apoiadas por investidores estrangeiros, estão tornando as ofertas antes pioneiras do Nubank um lugar comum para os consumidores.

IPO nesta quinta-feira

Esse é um ponto potencialmente problemático para os investidores, já que Nubank se prepara para ser cotado na Bolsa de Valores de Nova York nesta quinta-feira, 9.

Uma recente liquidação de ações de tecnologia já tornou os mercados menos tolerantes com as avaliações, levando Nubank a reduzir sua avaliação de IPO em 20%. Também está aumentando sua dependência de certos investidores novos e existentes, como o SoftBank Latin America Funds, para comprar pelo menos US $ 1,3 bilhão em ações ou metade do negócio de IPO.

A fé de alguns investidores na Nubank e em outras fintechs latino-americanas também foi abalada pelos infortúnios da outrora ambiciosa empresa de pagamentos Stone, cujas ações caíram 80% este ano após uma recente tentativa fracassada de empréstimos.

A participação estrangeira no Brasil inclui JPMorgan em junho, adquirindo uma participação de 40% no credor digital C6 Bank, com mais de 12 milhões de clientes, a firma de private equity General Atlantic financiando dois aumentos de capital na Neon desde 2019, enquanto o SoftBank do Japão possui 15% de participação no Banco Inter.

Além da concorrência crescente, um número crescente de investidores está perguntando como a Nubank, que tem o apoio da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett , da Tencent Holdings da China e de investidores de capital de risco como a Sequoia Capital, vai monetizar sua gigantesca base de clientes.

Nubank não comenta

No Brasil, por exemplo, os cinco maiores bancos respondem por quase 80% dos empréstimos pendentes e, embora estejam sentindo o calor das fintechs, estão resistindo.

O Itaú, o maior banco da América Latina, por exemplo, ofereceu até mesmo reduzir as taxas de cartão de crédito para muitos clientes existentes neste ano, ligando para os consumidores a oferecerem cartões de cobrança gratuitos.

Isso conseguiu cortar a taxa de cancelamentos de cartão pela metade, disse uma fonte familiarizada com a situação. Isso significa que os clientes ficam mais tempo com o banco e geram mais taxas de transação para o Itaú de processadores de cartão como Visa e Mastercard.

O Nubank se recusou a comentar sobre a questão da vulnerabilidade de sua carteira de empréstimos a uma desaceleração.

Embora Nubank tenha registrado um prejuízo líquido de R$ 528 milhões (US$ 94 milhões) nos primeiros nove meses de 2021, no limite superior de sua faixa de IPO poderia atingir uma avaliação de mercado de US$ 41 bilhões, o que significa que seria negociado a cerca de nove vezes o valor contábil, considerando que pode levantar US$ 2,6 bilhões no IPO.

(com Agência Reuters)