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A incerteza fiscal e o aumento dos juros devem provocar uma retração na economia brasileira em 2022, segundo relatório ‘Cenário macro-Brasil especial’ do Itaú Unibanco, divulgado nesta segunda-feira, 25. O banco revisou suas projeções para o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do país para uma queda de 0,5% no ano que vem. A projeção anterior era de crescimento de 0,5%.

“O aumento da incerteza fiscal implica em um risco-país mais alto, maior depreciação do real, piores perspectivas para a inflação e, em última instância, uma taxa de juros neutra mais alta”, reflete o documento.

Levando em consideração esses fatores, o relatório prevê que o Copom entrará em regime de contenção de danos e aumentará a taxa Selic em 1,5 p.p., para 7,75% a.a. em sua próxima reunião, que acontece nesta semana, seguida de outro aumento de 1,5 ponto percentual na reunião de dezembro, o que levaria a Selic para 9,25% ao ano até o final de 2021, chegando a 11,25% ao ano até o 1º trimestre de 2022.

Desvalorização do real

“Taxas de juros mais altas levarão a uma atividade econômica mais fraca, e agora vemos recuo moderado de 0,5% do PIB em 2022 (nossa projeção era de crescimento de 0,5% anteriormente). Apesar das taxas de juros mais altas, a maior incerteza fiscal irá, como indicado pela recente reação do mercado, limitar o espaço para a valorização do real”, diz o cenário projetado pelo banco.

O relatório projeta ainda a taxa de câmbio em R$ 5,50 por dólar no final de 2021 e 2022, contra R$ 5,25 no cenário anterior.

“A rápida retomada da agenda de reformas, incluindo medidas como uma reforma administrativa ampla, que fortaleceria a flexibilidade e resiliência fiscais, poderia ajudar a aliviar as condições financeiras e reduzir a incerteza. Nesse cenário, a maior confiança do consumidor e das empresas pode levar a um crescimento mais rápido no próximo ano. Mas as reformas precisam avançar”, conclui.