Flavio Monteiro, head de venture capital e portfólio da Kria - Crédito: Divulgação

Flavio Monteiro, head de Venture Capital e Portfólio da Kria – Crédito: Divulgação

A onda das plataformas como serviço chegou ao mercado de equity crowdfunding. O Kria, empresa de investimentos em startups, está lançando a  KRS, primeira solução SaaS voltada às novas plataformas que não têm ainda infraestrutura tecnológica para a realização de ofertas. Segundo Flávio Monteiro, head de venture capital e portfólio da Kria, o objetivo é democratizar o mercado de capitais e fomentar o acesso de investidores às melhores oportunidades de negócios.

“Após a regulamentação da CVM cresceu o interesse no crowdfunding, só que as empresas não têm a infraestrutura. Nós que temos uma infraestrutura proprietária cedemos para que eles envelopem com a sua marca, já com a regulamentação da CVM”, explica Monteiro.

Ele explica que o Kria opera ao mesmo tempo como venture capital e como plataforma de equity crowdfunding, porque nas ofertas que realiza também coloca capital próprio. “Ao contrário de outras plataformas, como sinal de confiança, mostramos que acreditamos tanto nas oportunidades que colocamos recursos também”, justifica Monteiro.

A empresa é uma das pioneiras no mercado de equity crowdfunding com a marca de Brootas, que lançou a primeira oferta pública em 2014, antes mesmo da regulamentação do segmento pela Comissão de Valores Mobiliários. Desde 2014, a empresa já fez mais de 100 captações, sendo que 15 após a regulamentação da CVM, em 2017, por meio da Normativa 588. O total levantando até hoje supera R$ 50 milhões.

“A mudança de nome foi um movimento de reposicionamento do negócio. O Broota surgiu antes do mercado nascer. Nos dedicamos por anos a fomentar o mercado, validar hipóteses. Atingimos então um momento em que o negócio já estava mais consolidado, entendemos nossa tese, nos concentramos mais na seleção dos negócios, e com isso veio a mudança de posicionamento e nome. Enquanto Broota remete a brotar, o Kria é um passo além. O passo da criação, do envolvimento entre partes”, define Monteiro.

Ele diz que muitas plataformas de equity crowdfunding acabam funcionando como um marketplace de ofertas. No Kria, menos de 1% dos pedidos que chegam à plataforma sobem para captação. Isso porque a seleção é muito criteriosa. O resultado disso é que o Kria é a plataforma que mais teve saídas (exit) de investimentos no mercado, quando ocorre a liquidez do investimento, seja porque a empresa investida foi comprada, ou um player estratégico  limpa o quadro societário.

Entre as empresas que tiveram ofertas na plataforma, Monteiro destaca a Repasa, brechó online adquirido pela Renner; a Conta Quanto, investida pelo Itaú e Bradesco e a Kaszek; a Resale, plataforma de compra e venda de imóveis, adquirida pelo BTG; a Chef Time, delivery de refeições prontas comprada pelo Pão de Açúcar; e a Eduqo, edutech adquirida pela Arco Educação.

“O que levamos em conta em primeiro lugar é o perfil dos fundadores, em seguida, o tamanho do mercado e, por fim, se a empresa já tem algum tipo de tração, não investimos em power point”, diz Flávio Monteiro.

Ele informa que o Kria tem hoje 60 mil investidores de varejo cadastrados. Pessoas que querem acessar essa classe de investimentos que hoje é muito seletiva. Entre eles estão Family Officers, CTOs, CEOs e CFOs de grandes empresas.

“É um público muito qualificado. A última captação, da Fluke – operadora virtual de telefonia celular (MVNO)-  foi uma das maiores da história do crowdfunding, R$ 5 milhões, o teto permitido pela regulação. Essa captação envolveu mais de 600 investidores. Isso gera um efeito de rede e de comunidade. A Fluke viu também a oportunidade de crescer a base de clientes”, destaca.

Como provedora de solução, o Kria oferece, por meio do KRS, toda a infraestrutura tecnológica e jurídica para que empresas possam realizar ofertas públicas em PMEs. Com isso, a ideia é permitir o surgimento de novas plataformas de investimentos alternativos, que operam em suas próprias marcas, mas com o apoio da infraestrutura desenvolvida pelo Kria.

Com o KRS, as empresas de equity crowdfunding podem economizar até 80% em tecnologia e jurídico, além de contar com a expertise da Kria, para criarem suas próprias plataformas. Atualmente, o KRS possui mais de 10 plataformas em diferentes verticais, como setor imobiliário, empresas da economia real, startups, ESG, negócios de impacto, mundo vegano e entre outros.

A cartela de clientes do KRS, do Kria, já conta com marcas como 100OpenStartups, maior ecossistema de startups do país; Fundo Ouro Preto, empresa com mais de R$ 5 bilhões sob gestão e com entrada no mercado de investimentos alternativos, além da Vegan Business, principal rede da comunidade vegana no país.