Ricardo Kalichsztein, CEO e fundador da Bom Pra Crédito. Crédito: Divulgação

Pioneira no modelo de marketplace de crédito, a Bom Pra Crédito quer atrair agora players do mercado de capitais que usem sua plataforma para a oferta de crédito, posicionando-se como uma opção para diversificação das carteiras. A empresa também iniciou a oferta de crédito direto ao consumidor digital (CDC) no checkout de lojas físicas e dentro de e-commerces como uma opção de crédito parcelado. Em junho, a fintech alcançou a marca de R$ 1 bilhão em empréstimos intermediados, junto a seus mais de 30 parceiros.

Até 2017, a Bom Pra Crédito operou com rodadas de investidores anjo. Em 2017, obteve um aporte de seed money de R$ 6 milhões liderado pela Astella Investimentos e pela SP Ventures. Em 2018, captou R$ 22 milhões de uma rodada Serie A liderada pela Innova Captal e, em 2019, veio a Série B de R$ 35 milhões com a Globo Ventures. Ricardo Kalichsztein, CEO e fundador da Bom Pra Crédito, destaca que o mercado de crédito no país é de mais e R$ 1 trilhão e a empresa ainda tem muito espaço para crescer.

“Temos capacidade de crescer dez vezes em dois a três anos. Estamos sempre atentos ao mercado e temos percebido bastante interesse na nossa plataforma. Mesmo durante a pandemia mostramos um modelo resiliente com crescimento de 53%. A nossa  rentabilidade de 16% ao ano, já líquida de inadimplência e dos nossos fees de originação. Com isso, passamos a receber consultas de casas de investimento e gestoras com interesse em ter acesso a essa rentabilidade trazendo seus cotistas”, diz Kalichsztein.

Há um mês, a empresa abriu a possibilidade de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs)  ou securitizadoras investirem em crédito por meio de plataforma. Para isso, fechou parceria com a Vertis e o Banco Money Plus para que o mercado de capitais tenha a possibilidade de, por meio da plataforma, cria sua estratégia de crédito originado pela Bom Prá Crédito.

“Atuamos como correspondente bancário que presta um serviço de avaliação de crédito. O fundo investe por meio de uma gestora que opera na plataforma a Bom Pra Crédito. O fundo ou os recursos não passam por nós, e sim pelo Banco Money Plus”, esclarece Kalichsztei.

Quanto ao CDC, um produto essencialmente brasileiro, havia sumido das prateleiras com o avanço dos cartões de crédito. A Bom Pra Crédito criou o CDC digital como uma opção ao parcelamento. A empresa também avalia outras opções como o consignado.

“Nossa ideia é ter todas as opções de crédito para atuarmos no modelo one stop shop oferecendo empréstimo, financiamento de veículos, CDC, consignado entre outras alternativas para o cliente poder escolher a melhor opção para ele. Temos oito milhões de usuários no Brasil inteiro”, comemora Kalichsztei.

A Bom Pra Crédito foi fundada em 2013, por Kalichsztein e – e Felipe Lemos, CFO -, que tem 23 anos de experiência no mercado de crédito. Ele atuou  na Finninvest, maior financeira do país nos anos 1990, adquirida pelo Unibanco em 2001. No banco, passou a comandar a área de crédito de 2001 a 2007, saindo antes da fusão com o Itaú, que extinguiu o conceito de financeira dentro do banco em 2011. Na sequência, passou a atuar na consultoria Witrisk, para implementação dos braços de crédito de empresas de diferentes verticais.

“Ajudei a estruturar as áreas de crédito de Renner, Marisa, Carrefour, outros grandes, médios e pequenos varejistas, e empresas como a Kroton, além de concessionárias do setor automotivo. Não há conhecimento de crédito na academia e sim no mercado. A ideia é que essas empresas tivessem os mesmo conhecimentos e tecnologia – credit score, modelagem – dos grandes bancos a fim de que ganhassem maturidade para conceder bons créditos. Dessa experiência nasceu a ideia de criar a Bom Pra Crédito em 2013”, diz  o executivo

Ele diz que, na época, o consumidor não tinha a opção de escolher crédito, acabava tomando o que seu banco oferecia e não trocava de banco para ter outra opção. Quando o cliente perdia o acesso ao crédito no seu banco, ia bater na porta das financeiras com opções de crédito mais caro. Essas financeiras também não acessavam os bons clientes.

“As financeiras ficaram marcadas como as que ofereciam crédito caro, mas elas ofereciam apenas um produto para um cliente de maior risco. A ideia do Bom Pra Crédito foi trazer acesso a crédito de todas as fontes do mercado e permitir aos credores outro tipo de cliente. Na época, não havia muita oferta de aceleração e apenas dois fundos de venture capital. Nossa alternativa foi fazer uma sessão de auto aceleração com profissionais de mercado.”, diz Kalichsztein.

O Bom Pra Crédito foi criado como um marketplace onde o consumidor recebe diversas ofertas e o credor acessa o consumidor de forma democrática. Hoje são mais de 30 parceiros, entre os quais  os grandes bancos, financeiras tradicionais que a empresa ajudou a digitalizar, além de fintechs de crédito. Kalichsztein conta que a empresa também visava a participar da cadeia de valor e, há dois anos, criou a oferta Credit as a Service, em que não apenas capta o cliente como também permite que empresas que não têm área de crédito possam usar toda a infraestrutura da captura à cobrança em parceria com a  Zema Financeira.

“Já temos sete empresas credoras usando nosso modelo de credit as a service, que passaram a trazer grandes volumes de recursos. Hoje estamos produzindo muito mais por meio do modelo de credit as a service do que por empresas de crédito tradicionais, incluindo as fintechs. Mas o modelo é aberto para todos. Em junho, atingimos R$ 1 bilhão originados por meio da plataforma, sendo R$ 300 milhões já usando nosso modelo de credit as a service”, sinaliza Kalichsztein.

Ele explica quem quando a Bom Pra Crédito apenas conecta o cliente à empresa de crédito, recebo um fee de originação. Quando a empresa parceira usa o modelo completo, além do fee de originação recebe outro pagamento de adimplência. “Mas o importante é que, nos dois modelos, quem define a estratégia e as condições é a empresa de crédito”, explica Kalichsztein.