Gustavo Pimentel, diretor-executivo da SITAWI | Crédito foto: Divulgação

Gustavo Pimentel, diretor-executivo da SITAWI | Crédito foto: Divulgação

Nos últimos seis anos, o mercado brasileiro de títulos verdes e sustentáveis já passou de R$ 100 bilhões em volume de dívidas, seja de mercado de capitais ou bancário, emitido com um desses rótulos. São 112 operações realizadas até o momento afirmou Gustavo Pimentel, diretor-executivo da SITAWI, provedor de avaliação financeira para impacto socioambiental, durante o Ciab 2021 da Febraban.

Em 2020, segundo Pimentel, foram mais de US$ 5 bilhões em emissões e em 2021 já chega a US$ 9,5 bilhões, ou seja, quase o dobro do ano passado. A previsão é alcançar US$ 20 bilhões.

“A curva é bastante ascendente, já concluímos mais de 70 operações no Brasil e na América Latina e estamos com outras 60 em andamento. Isso dá uma ideia da aceleração desse mercado”, disse. Em algumas operações a empresa também assessora emissores a estruturarem as suas teses verdes, ou sociais, para que posteriormente possam emitir. Nesses casos, a empresa não pode certificar.

Diversificação

De acordo com Pimentel, o mercado no Brasil começou bem aquecido na área de infraestrutura, especialmente no setor de energia renovável e florestal, com as empresas de papel e celulose que já tinham um perfil internacional. Elas eram emissores frequentes de bond no exterior.

“A partir de 2019, começamos a ver uma diversificação de setores que acessam esse mercado. Em primeiro lugar, foi o setor de transmissão de energia e alguma coisa na indústria e, em 2020, houve operações de saneamento. Em energia renovável, que sempre foi um tema muito forte, tinha presença da energia eólica e solar e foi diversificando para etanol e biomassa”, observa.

No ano passado, surgiu o título atrelado às metas ESG. No instrumento tradicional do título verde, o recurso é captado e tem de ser direcionado para um projeto ou ativo que tenha essas características. Já no instrumento atrelado à meta ESG, segundo ele, o uso do recurso captado pode ser corporativo, mas o emissor ou tomador se compromete a melhorar seu desempenho ambiental social ou sustentável e se isso ocorre ele obtém vantagens na taxa. Este é o formato que mais tem crescido no país.

Papel dos bancos

Os bancos têm dois papeis. Ao contrário do  internacional, no mercado brasileiro os principais emissores e tomadores são empresas do setor não financeiro, os não financial corporate, que são responsáveis por 87% do volume emitido, ou seja, os mais de R$ 100 bilhões. Enquanto os bancos como emissores respondem pelos 13% restantes.

“Se olharmos o mercado internacional, os bancos em desenvolvimentos, bancos comerciais e multilaterais são os principais emissores. Eles mesmos emitem e alocam os recursos em suas carteiras de crédito, financiando a economia real”, disse.

Os bancos podem funcionar como coordenadores das ofertas, emprestadores para os clientes da economia real, ou  captadores de recursos e repassar por meio de sua carteira de crédito. “O fato é que sem os bancos esse mercado não funciona”, concluiu.