Paulo Skaf, presidente da Fiesp – Crédito: Agência Brasil – Marcelo Casal Jr.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou nota na tarde desta segunda-feira, 30, afirmando que não participou da elaboração de manifesto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. Segundo a entidade, “o conteúdo do texto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade”, referiu.

De acordo com a nota, o texto proposto pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi submetido à aprovação da governança da federação dos bancos, que concordou em subscrevê-lo, não apresentando qualquer modificação ao manuscrito.

A intenção dos bancos públicos, Banco do Brasil e Caixa, de se desfiliarem da Febraban em função do apoio ao manifesto, gerou reações no setor financeiro e privado, e no Congresso Nacional. O presidente da comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), disse que vai apresentar requerimento com pedido de explicações ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes da Caixa, Pedro Guimarães e do BB, Fausto Ribeiro.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no entanto, decidiu adiar a divulgação da carta, prevista para esta terça-feira, 31, depois de conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). A atitude não teria sido oficialmente comunicada aos cerca de 200 signatários do documento, o que gerou mal-estar no setor privado.

O adiamento da divulgação do manifesto não impediu que o texto vazasse na imprensa. Leia a íntegra:

“A Praça dos Três Poderes encarna a representação arquitetônica da independência e harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, essência da República. Esse espaço foi construído formando um triângulo equilátero, cujos vértices são os edifícios-sede de cada um dos poderes.

Esta disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia tem de ser a regra entre eles.

Este princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição nos impõe.

As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas. O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população.

Mais do que nunca, o momento exige do Legislativo, do Executivo e do Judiciário aproximação e cooperação. Que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Este é o anseio da Nação brasileira.”

(com agências)