Crédito: Divulgação

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A inflação, que chegou a 8% hoje, 9,  causa preocupação e deve levar o Banco Central a continuar subindo as taxas de juros, afirmou Mário Mesquita, economista chefe do Itaú Unibanco, durante evento virtual. A preocupação do BC, segundo ele, é que um choque temporário da inflação impacte as expectativas e que se perenize por um tempo.

Com a vacinação avançando, o Itaú Unibanco prevê que a atividade econômica retorne à normalidade no quarto trimestre deste ano. “Há chances de revermos para cima nossa projeção recente de crescimento de 5% do PIB para 2021”, disse.

De acordo com estudos do banco, a recuperação da atividade econômica vem se consolidando, a recuperação do emprego formal está  em curso e a dinâmica salarial ainda mostra-se contida. “O salário ainda é um fator de contenção da pressão inflacionária, mas também tem outros fatores atuando em direção oposta”, disse.

O Itaú, que processa 20% das folhas de pagamentos do Brasil, observou uma queda forte do emprego formal. “Em contraste com os dados do IBGE, os dados do Caged e os nossos próprios dados vem mostrando uma recuperação. O desemprego, que subiu muito com a pandemia, está caindo, mesmo assim, ainda estará acima do nível pré-pandemia, 12,3%, no final do ano”, disse.

Para o economista, o salário ainda é um fator de contenção da pressão inflacionária, embora existam outros fatores atuando em direção oposta. A pesquisa mostra uma redução da inflação de salários depois da pandemia, seguida de uma grande queda com o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (Bem), pago pela União.

Comportamento do consumidor

O Itaú Unibanco apresentou um levantamento sobre como a pandemia afetou o comportamento do consumidor no primeiro trimestre de 2021. A análise foi feita com base nos dados de compras realizadas nos cartões do Itaú Unibanco e das vendas feitas por clientes da Rede, empresa de meios de pagamentos do banco.

Do ponto de vista de tendência de consumo e digitalização da economia, o valor transacionado por meio físico sofreu uma queda de 79,1%, enquanto o online aumentou 20,9%, afirmou Moisés Nascimento, diretor de estratégia e engenharia de dados do banco. O  share do físico, que estava com zero de crescimento no mesmo período do ano passado, cresceu 3,7% este ano e o share do online chegou a 32,5%.

No mundo físico, atacadistas e materiais de construção impulsionaram o crescimento com 37,3% e 35,9%, respectivamente. Esses dois setores da economia aumentaram também o crescimento do ticket médio.

Do lado do online, apps e restaurantes cresceram 143% e lojas de departamento 135,7%. Esses crescimento refletem os apps de aplicativo de comida e shopping online, consolidando o mundo mais digital para o cenário brasileiro.

Compras online cresceram 32,5% comparado com ao primeiro trimestre do ano passado, observando que março pico de 58,4% de crescimento de compras online, devido ao novo isolamento.

Cartões virtuais e carteiras digitais

As compras por cartões virtuais tem sido expressiva durante a pandemia, gerando aumento de 163% no valor transacionado. A geração Z, já digitalizada, puxa a linha de tendência, crescendo 457% e a geração X e Y 162%.

As carteiras digitais – considerando Apple Pay, Samsung Pay e Google Pay – cresceram 80% o valor transacionado no primeiro trimestre de 2021 comparado ao mesmo período do ano passado. A geração Z é que determina o crescimento, com 192%. E as transações usando pagamento por aproximação cresceram 34 vezes.

A base de dados para esse levantamento considerou 50 milhões de clientes da rede de correntistas do Itaú Unibanco e 30% do mercado brasileiro de adquirência. O banco pretende considerar os pagamentos realizados via Pix nas próximas pesquisas.