Gustavo Müller, CEO da Monkey Exchange - Foto: Patrícia Cançado

Gustavo Müller, CEO da Monkey Exchange – Foto: Patrícia Cançado

A Monkey Exchange, marketplace de recebíveis, se prepara para atender em sua plataforma as duplicatas eletrônicas, que passarão a ser reguladas pelo Banco Central a partir do início de 2022. Para este ano a meta é expandir sua operação para América Latina e lançar ferramentas para recebíveis de cartão de crédito. O propósito da fintech é ser uma alternativa de crédito às PMEs e criar referências de preços.

Sua solução, Spike, conecta  bancos e instituições financeiras, grandes empresas e seus fornecedores, para que possam precificar e identificar os riscos das transações de recebíveis de forma rápida, simples e segura. A fintech atua com controle de processos, leilão reverso com vantagens, White label funcional e cadeia de suprimentos financeira.

“Com a plataforma chegamos a 30% de penetração junto ao mercado, em um segmento que tem em média 12%, o que nos permitiu fazer a inclusão mais fácil do pequeno fornecedor que não tinha acesso ao crédito”, afirma Gustavo Müller, CEO da Monkey Exchange.

São 27 instituições financeiras participantes de pequeno, médio e grande portes, entre elas o Banco Safra, Itaú Unibanco, Inter entre outros. Além de 78 grandes empresas, como Petrobras, Usiminas, Grupo Saint-Coban, Fiat Chrysler e quase 500 mil empresas fornecedoras.

Em seu primeiro ano de funcionamento, foram R$ 140 milhões de recebíveis comprados na plataforma, que aumentou para R$ 1 bilhão, em 2019, chegando a R$ 8 bilhões, em 2020, devido à pandemia. A expectativa é fechar 2021 com R$ 30 bilhões de recebíveis de notas fiscais eletrônicas, que representa 97% em termos de volume.

O produto não é uma novidade. Os bancos já operam o chamado risco sacado, em que atuam sem concorrentes no dia a dia. O papel da Monkey, uma alternativa multifunding, é adicionar mais bancos em cada programa para complementar o investimento que faltou para a cadeia se financiar e, consequentemente,  estimular a concorrência. “O importante é as empresas entenderam a importância de não ficarem reféns de um único provedor de recursos”, diz.

Atuação em outros países

Considerando a experiência no mercado de capitais e de bancos, Müller, ex-sócio da XP, preferiu optar incialmente por um modelo onde a origem dos recebíveis venham das grandes empresas. Porém, a partir do momento em que a nova regulação para duplicata eletrônica começar a vigorar, passará a ampliar o leque de origem dos recebíveis também para os fornecedores.

A Monkey não tem concorrentes no país. A Antecipa, comprada pela XP, faz apenas uma parte do negócio, assim como a Liber Capital. Nos Estados Unidos, no entanto, há modelos comparáveis como a C2Fo, Demica, Taulea e PrimeRevenue.

Desde a fundação, sua meta é se tornar uma empresa global. A expansão internacional começará no Chile, em setembro, em seguida México, Colômbia e Argentina. A partir daí, a estratégia será atuar em outros mercados com o próprio cliente.

Recebíveis de Cartões

Com a regulamentação do recebíveis de cartão de crédito, a fintech criou uma ferramenta para o lojista vender seus recebíveis de forma simples, possibilitando redução de custo financeiro de quase 70%, como a praticada pela sua plataforma de supply chain finance Spike.

Criou uma infraestrutura, como lançamento em setembro, que permite aos adquirentes, fundos e bancos montarem seus próprios marketplaces white label. “Isso faz com que o lojista que opera com a Getnet, por exemplo, receba ofertas da Rede ou Cielo. Só aí já cria uma certa competição dentro do próprio ecossistema”, observa.

Além disso, tornará disponível aos adquirentes o seu marketplace com as 30 instituições financeiras conectadas,  permitindo que o lojista apresente seus títulos, receba as ofertas e escolha com quem quer liquidar seus recebíveis. Em novembro, lançará um serviço para que o lojista utilize a unidade recebível como forma de pagamento, virando moeda.

A fintech é remunerada, não pelo spread, mas pelas transações. Fez uma rodada de captação Séries A, em que foram levantados U$ 6 milhões, em fevereiro deste ano, que serão usados na expansão de produtos e  do mercado. O investimento foi feito pela Kinea Investimentos, com fundo CVC do Itaú Unibanco e o fundo americano multimercado Quona Capital, com sede em Wahsington, que também já investiu na Creditas e Bizcap. Em uma seed com pessoas físicas de mercado, captou no início da operação R$ 7 milhões.