Novos desafios do Open Finance abrem o Digital Money Meeting - Crédito: DMM

João André Pereira, José Luiz Rodrigues e Loise Nascimento – Crédito: DMM

Na próxima semana, na virada do mês, o Open Finance entra em nova etapa, quando o sistema de compartilhamento de dados, informações e histórico sai do âmbito das instituições financeiras e passa a valer para toda a configuração de finanças pessoais, como seguros e investimentos.

As discussões sobre a nova fase do Open Finance agitam o sistema financeiro e abriram os debates da segunda edição do congresso virtual Digital Money Meeting, promovido pela Momento Editorial, que acontece desta quarta-feira, 25, até a próxima sexta-feira, 27 de maio.

Para o painel ‘Open Finance – A visão de diferentes stakeholders’ participaram o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, João André Pereira, a Public Policy & Regulatory Manager da Movile, Loise Nascimento, e o sócio titular da JLRodrigues & Consultores Associados, e Presidente do Conselho da ABFintechs, José Luiz Rodrigues.

O representante do Banco Central, João André, abriu os debates reconhecendo as dificuldades da implementação do Open Banking que passou a ser chamado Open Finance. “Não foi e não está sendo um processo trivial, as padronizações são extremamente difíceis, principalmente em um grupo com visões bem diferentes”, afirmou.

João André também admitiu que a conectividade, imprescindível para o bom funcionamento do sistema, apresentou problemas em todo o processo e continua a ser um desafio.

Os números, no entanto, mostram otimismo por parte do regulador. Segundo João André, já são mais de 200 instituições envolvidas, incluindo as cooperativas de crédito, e mais de 5 milhões de consentimentos ativos no sistema. Só na última semana, foram registradas 150 milhões de chamadas de APIs, com mais de 80% de sucesso nas chamadas.

A terceira fase já vem acontecendo, já estamos entregando produtos da Iniciação de Pagamentos, agora vamos ver novos produtos nascendo e esperamos muita inovação neste mercado”, prevê o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC.

Parceria entre reguladores

Na opinião de João André, as novidades no Open Finance só estão começando e a resolução do Banco Central e Susep, publicada recentemente, prevê o trabalho conjunto dos reguladores para a interoperabilidade que permitirá o compartilhamento padronizado de dados, mediante consentimento do cliente, de forma segura, ágil e precisa entre bancos, instituições de pagamento, cooperativas de crédito, sociedades seguradoras, entidades abertas de previdência complementar, sociedades de capitalizações e demais instituições autorizadas a funcionar pelo BC e pela Susep.

Um modelo de governança que foi elogiado pela responsável pelas Políticas Públicas de Regulação da Movile, Loise Nascimento. “O modelo de governança criado pelo Banco Central é extremamente inovador e promove o equilíbrio entre visões distintas do que existe e do que pode existir a partir do sistema financeiro aberto”, ressaltou.

Loise, que participa do grupo de discussões para a construção do Open Finance, lembrou a capacidade técnica e disruptiva do BC, que tem conseguido organizar o mercado e promover a inclusão. “Não é atoa que existe o Pix. O Brasil não é o primeiro país a promover a abertura do sistema financeiro, mas da forma que está sendo feito, estamos alguns passos à frente, entendendo erros e acertos de outros países e promovendo a sinergia entre reguladores”, afirmou.

Cliente em primeiro lugar

Segundo Loise Nascimento, a competividade entre os players virá da oferta de produtos. “Não vamos vender uma ‘conta’, mas prestar um serviço de conta ao cliente, que dor queremos resolver para o consumidor. Acho que isso não está muito claro para a sociedade, o valor dos dados de cada um”.

Acompanhando o mercado financeiro há bastante tempo, José Luiz Rodrigues acredita que o Open Finance coloca um ponto final na participação passiva das instituições. “O player deve ser ativo, não existe mais a venda de prateleira, o produto deve ser criado sob medida para o cliente”, disse.

Segundo José Luiz, a assimetria das instituições verificada no início do processo do Open Banking é normal, só demonstra uma participação efetiva do usuário. “Isso só provoca uma grande disrupção, uma grande mudança”, sentenciou.

Para Loise Nascimento, o BC conseguiu duas coisas antes consideradas impossíveis: tirar a ‘sofisticação’ do sistema financeiro, onde só cabiam os bancos tradicionais, e democratizar o ambiente de discussão do novo ecossistema. “O antigo é um complemento do novo, o futuro depende disso e o próximo passo é, de fato, gerar mais valor para o cliente”, complementou.

Educação Financeira

João André vê as dificuldades desse modelo democrático, mas assinala que a agenda do banco vem sendo trilhada nesta direção. “A forma está muito aberta, desde que os contratos sejam claros e a responsabilidade de cada um esteja presente”, disse.

Neste momento, segundo o representante do BC, teremos novos produtos e novos modelos de negócios que vão surgir a partir do Open Finance, mas é de extrema importância o ponto de vista social do sistema.

“A educação financeira, os esclarecimentos do funcionamento do sistema aberto, a responsabilidade do crédito e a conscientização do consumo fazem parte desse processo. Grande parte da sociedade tem a lacuna da educação financeira e esse é um círculo virtuoso, onde o Open Finance prevê soluções e serviços que contribuirão para esse aprendizado”, concluiu.