O momento é de aversão ao risco-Crédito-DMM

Crédito: DMM

O momento é de aversão ao risco, em um cenário de taxas de juros elevadas, de 12,5%, e inflação alta. Oferecer serviços que geram valor para o cliente, aumentam o engajamento, reduzem a taxa de cancelamento é o modelo  vencedor, afirmou Renato Ciuchini, VP de novos negócios e inovação da TIM Brasil, durante o painel SVA e o sistema financeiro, realizado pelo Digital Money Meeting, realizado nesta sexta-feira, 27.

A TIM encontrou na parceria um modelo para viabilizar a sua oferta de serviços de valor agregado, o que permitiu focar em seu próprio negócio de telecom que no momento conta com dois grandes desafios: a entrada em operação da tecnologia 5G e a integração de 15 milhões de usuários que estão chegando da Oi.

A TIM, Vivo e Claro adquiriram a operadora carioca Oi Móvel em leilão judicial em dezembro de 2020, e a compra dos ativos foi aprovada pelo Cade no começo deste ano. A operação ficou em R$ 15,922 bilhões.

“E o melhor nessa hora é cada macaco no seu galho. Mas do que nunca as telcos tem que se concentrar naquilo que fazem bem, que é o canal de aquisição do cliente, que aliás é muito importante”, afirmou Ciuchini.

Na sua opinião, há dois caminhos para as teles atuarem hoje: como um canal de vendas – gerando valor, volume e captura – ou melhorando a jornada do cliente, a fintechização dos negócios.

Um exemplo prático, segundo ele, foi a ativação do C6 bank, seu parceiro de negócio, no canal do DialMyApp, um hub entre o consumidor e os canais de atendimento de empresas, que permitiu à TIM abrir mais de 10 mil contas por mês.

“Isso foi possível porque colocamos foco e trabalhamos juntos com o parceiro para fazer a coisa acontecer e temos que alavancar e funcionar como um canal de aquisição para essas parceiras estratégicas e conseguir monetizar e gerar valor para o cliente”, disse.

Foco nas PMEs

Apostando também na parceria, a Algar Telecom, empresa de telecomunicações e TI do Grupo Algar, lança com o Banco BS2 uma solução para levar serviços financeiros para Pequenas e Médias Empresas (PMEs), no terceiro trimestre de 2022. O projeto começa pela base de quase 200 mil clientes da operadora no segmento PMEs em 16 estados do Brasil e Distrito Federal.

“Nosso objetivo é prover uma solução mais integrada que facilite a gestão desse empreendedor”, disse Rafael Vieira, diretor de negócios da Algar Telecom.

Com a parceria, inicialmente serão oferecidos produtos de crédito digital, conta digital, adquirência, investimentos, câmbio e seguros.Como diferenciais para atender esse mercado, a proposta é investir no relacionamento próximo, tecnológico e ao mesmo tempo humanizado, entregando agilidade, simplicidade e uma boa experiência para os clientes.

Riscos de inadimplência

Rafael disse não temer o cenário desafiador do país para lançar a nova solução, pois o setor de PMEs é robusto em termos de empregabilidade e quantidade de CNPJs. “Além do que, entramos muito na esteira de crédito, pois temos o histórico do cliente que permite saber se ele paga em dia. Estamos trabalhando com o BS2 para usar essas informações de forma a aprimorar o processo de decisão. O problema é com qual intensidade quer puxar a exposição de crédito dentro do cliente”, questionou.

Tomas Fuchs, CEO da Datora, operadora móvel virtual (MVNO) disse que já começa a sentir o aumento da inadimplência decorrente dos impactos da economia entre os provedores de internet (ISPs), seus principais clientes. A Datora opera com um modelo do tipo “Telecom as a Service”, em que o cliente usa os benefícios de telecomunicações sem precisar fazer os investimentos.

Focada em serviços de telecom, mobilidade e plataforma de conectividade, a empresa habilita os ISPs para entrar no mercado móvel e financeiro que atuam muito com os desbancarizados. “Porém, nada que chame muito atenção, pois a internet é um serviço essencial. O celular hoje é o cliente na palma da mão esse é o principal ponto quando une um varejista ou banco no mundo móvel.”

Foco no cliente

Fã declarada do modelo MVNO, Flávia Nassif, CEO da DialMyApp Brasil, acredita que o modelo de negócio da  DialMyApp também atende empresas de até 5 mil clientes como ISPs e PMEs. “Quem vai ligar para essas empresas é o mesmo consumidor, que se engaja no serviço de autoatendimento quando a resposta é rápida. Portanto, não existe cliente Itaú ou TIM. É muito mais nossa responsabilidade ter estratégia para servir esse público”, concluiu.