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O setor de seguros cresceu 9,9% no primeiro trimestre de 2021, em relação ao mesmo período no ano passado. “O resultado mostra que o seguro começa a viralizar pela sociedade brasileira e a expectativa é que dobre a sua participação no PIB, nos próximos cinco anos”, afirma Solange Paiva Ribeiro, superintendente da Susep – Superintendência de Seguros Privados, durante o lançamento do Instituto de Inovação em Seguros e Resseguros da Fundação Getúlio Vargas.

O objetivo do novo instituto da FGV é produzir e difundir pesquisas e análises relacionadas à inovação e tendências futuras na indústria de seguros no Brasil, além de acompanhar e estudar os movimentos mercadológicos, regulatórios e tecnológicos em nível global que possam gerar impactos nesse setor.

A Susep, segundo Ribeiro, tem desenvolvido um árduo trabalho para minimizar os entraves regulatórios e promover uma agenda modernizadora para esse setor. “A chegada do Open Insurance, no próximo semestre, promete eliminar barreiras à entrada e democratizar o acesso ao consumidor e do consumidor a esse mercado”, diz.

Para Otávio Damaso, diretor de regulação do Banco Central, o Open Insurance representa um alavancador de transformação no segmento de seguros, trazendo mais eficiência e qualidade aos produtos e serviços. No entanto, é fundamental que as incumbents se atentem para a importância dos dados nesse processo.

“Reunir os dados e fazer com que cheguem de forma tempestiva só é possível com inovação, que representa uma peça chave fundamental para garantir a solidez e promover a eficiência do sistema”, afirma. A tecnologia, segundo ele, não é necessariamente o principal drive da inovação, mas sim os novos modelos de negócios, que surgem a partir do seu uso.

Oceano de oportunidades

Na opinião do diretor de regulação do BC, o mercado de segurados apresenta um oceano de oportunidades e, dado à vocação do país para o agronegócio, vale a pena explorar essa área, que passou por um processo de profissionalização de sua cadeia nos últimos anos. A segurança cibernética também foi outro segmento apontado por ele como promissor pela demanda crescente dos bancos por proteção.

Damaso chamou a atenção para a importância de inovar a forma de fomentar a cultura de seguros no país. “Tanto as pessoas como as empresas não têm a cultura de se proteger, principalmente comparados aos países europeus, que consideram o seguro um bem essencial, especialmente o Reino Unido”, diz.

O conjunto de tópicos que será tratado no novo instituto da FGV inclui seguro-garantia de infraestrutura, novas tecnologias – insurance techs, mudanças regulatórias, seguro saúde, seguro e o agronegócio e seguro de mudanças climáticas.

De acordo com o professor Gesner Oliveira, que coordena o centro de estudos de infraestrutura e soluções ambientais da FGV EAESP, o setor de seguro tem um potencial de crescimento muito grande no país. O prêmio de seguros de danos representa apenas 1,09% do PIB brasileiro, em contraste com a média mundial de 4,1%, e o prêmio de resseguros chega a 0,15% do PIB, menos que nos Estados Unidos ( 2%), Chile (0,78) e Argentina (0,48%).

O investimento atual do país em infraestrutura, cerca de 2,2%, também está abaixo da média mundial de 3,8%, ao passo que a China chega a 8,8%. Segundo Oliveira, na década de 70 o país investiu cerca de 5,4%.

Acompanhar e incentivar ideias e debates ativos com formuladores de políticas, reguladores, acadêmicos e outros stakeholders sobre questões políticas, econômicas e sociais com impacto na indústria de seguros e resseguros também são atividades que fazem parte do escopo de trabalho do FGV IISR. O Instituto planeja desenvolver e promover entendimento amplo sobre o papel e a importância do setor na economia e na sociedade.