ONU reduz previsão de crescimento da economia global para 3,1% - Crédito: Freepik

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De acordo com relatório “Situações e Perspectivas Econômicas Mundiais” (WESP, em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), a economia global deve crescer 3,1% em 2022. A previsão de crescimento do relatório divulgado em janeiro era de 4%.

A diferença em relação à estimativa inicial é resultado da guerra Russa na Ucrânia, que além de tirar milhares de vidas na região prejudicou a economia dos dois países e comprometeu outros países da Europa e Ásia. O relatório da ONU também prevê que países da União Europeia e Europa Oriental sofrerão com a crescente inflação devido aos conflitos na região ucraniana.

Preços

O abrandamento do crescimento global ocorre em meio a fatores como guerra na Ucrânia, aumento dos preços de energia, dos alimentos e das commodities, conjugados à alta da inflação e a posturas de política monetária restritivas em bancos centrais.

As previsões de crescimento para os Estados Unidos, União Europeia e China foram revistas para baixo. A região europeia deve observar a descida mais significativa com 2,7%, ao contrário dos 3,9% que eram esperados no princípio do ano.

O bloco europeu tem sido o mais afetado por interrupções no fornecimento de energia da Rússia.

EUA e China

A economia dos Estados Unidos deverá subir 2,6%, e a China, 4,5%, segundo as previsões da ONU. Para o grupo dos países em desenvolvimento, a expansão deve ser de 4,1% este ano, abaixo dos 6,7% verificados em 2021.

O documento ressalta que a desaceleração generalizada da economia global atrasará uma recuperação completa, inclusiva e sustentável após a pandemia.

Associado à guerra na Ucrânia, o abrandamento deve inflacionar preços de alimentos e fertilizantes. Os efeitos serão sentidos particularmente nos países em desenvolvimento, agudizando a insegurança alimentar e a pobreza.

Pandemia e Brasil

Outro perigo paralelo à intensificação da guerra em território são possíveis ondas da pandemia, segundo o relatório. Na América Latina e Caribe, o Produto Interno Bruto (PIB) regional deverá crescer apenas 2,1%, ante uma expansão de 6,6% em 2021. Em 2023, o crescimento deverá alcançar 2,8%.

O documento destaca que no caso do Brasil o desempenho será de mais 0,5%.  O aumento no maior PIB da região deve ocorrer por fatores como inflação elevada, condições monetárias mais apertadas e maior incerteza fiscal.

De acordo com a ONU, o país sofre ainda com as interrupções no fornecimento e preços elevados de fertilizantes devido à guerra na Ucrânia, uma situação que pressionará ainda mais o custo dos alimentos em nível global.

Commodities

Devido aos constrangimentos monetários em economias desenvolvidas os custos dos empréstimos ficarão mais altos. A situação prejudicará a sustentabilidade das dívidas e restringirá ainda mais o espaço fiscal para apoiar uma recuperação completa das economias dos países em desenvolvimento.

O relatório prevê que a ação climática é uma das áreas que podem ser mais afetadas pela guerra na Ucrânia e pelos seus efeitos sobre os preços de energia e das commodities. O alerta é para a escalada de custos do petróleo e do gás que podem incentivar mais extração de combustíveis fósseis ou maior uso de carvão.

África

Os preços altos do níquel podem afetar negativamente a produção de veículos elétricos, enquanto a subida de valores de alimentos pode impedir a produção de biocombustível.

A ONU destaca que tais preços elevados também são uma oportunidade para os países africanos resolverem suas preocupações com energia e segurança alimentar.

O estudo defende que a adoção de energias renováveis pode ser acelerada, melhorando a eficiência do sistema como requerido para a sustentabilidade geral.

Na África, o agravamento da insegurança alimentar é uma das situações esperadas pela organização. O continente, onde as taxas de vacinação estão baixas, destaca-se pela vulnerabilidade em relação a novas ondas de infecções por Covid-19.