Otávio Damaso, diretor de regulação do Banco Central – credito Flickr BC

O Banco Central tem grande expectativa com o que vai acontecer com o sistema financeiro após a implementação do open banking, afirmou Otávio Damaso, diretor de regulação do BC. Ele diz que o BC está entregando para a sociedade uma plataforma que vai democratizar o acesso às informações financeiras e permitir que surjam novos produtos e serviços com maior praticidade e redução de custos.

“O dado é o insumo mais precioso para o desenvolvimento de novos produtos e negócios. Estamos disponibilizando essa plataforma na qual o dado vai poder fluir de forma plena, detalhada e padronizada por meios digitais eficientes, permitindo que as instituições que participam do sistema financeiro possam oferecer novos produtos e serviços. Nossa expectativa é enorme porque temos inúmeros exemplos de novos serviços, como a integração do cheque especial com um fornecedor de crédito mais barato ou uma empresa que possa fazer seu fluxo de caixa integrando suas diversas contas”, diz Damaso,

Ele explicou que a agenda tanto do open banking quanto do PIX se insere numa iniciativa muito mais ampla que o BC vem desenvolvendo, nos últimos anos, para fomentar a inovação, a competição, a inclusão e a maior eficiência do sistema financeiro.

“Temos procurado facilitar esse movimento e a entrada de novos players com vários casos de sucesso de fintechs que vieram para competir e oferecer novos produtos e serviços financeiros e também as que vieram para trabalhar em conjunto com as instituições que já estavam presentes do sistema financeiro. O projeto foi bem-sucedido e hoje temos um sistema financeiro muito diferente de há cinco anos. Tenho certeza de que com o open banking vamos olhar para trás e ver como ficamos diferente do que temos hoje”, analisou Damásio em live promovida pela XP.

O que é Open Banking

O Open Banking visa a transformar o sistema financeiro nos próximos anos, tornando-o mais eficiente; mais competitivo e mais inclusivo. O ponto essencial do Open Banking é colocar o consumidor como principal beneficiário dessa transformação.

O open banking tem alguns elementos principais. O primeiro é reconhecer que o consumidor tem o controle e a posse de seus dados pessoais. Hoje todo o histórico da vida financeira das pessoas está na instituição financeira onde tem conta e só a instituição usa essa informação em benefício dela.

O segundo aspecto é a padronização desses dados e informações para que quem os estiver recebendo possa fazer uma análise e oferecer novos serviços financeiros customizados.

A partir desses dois pilares vem sendo desenvolvida tecnologia para que a informação possa fluir entre as instituições participantes do ecossistema financeiro em prol do consumidor. Isso só ocorre quando o consumidor permite o compartilhamento de suas informações para obter benefícios.

“O compartilhamento da informação se inicia com o consentimento do consumidor, quando ele identificar que a instituição B tem capacidade de oferecer um produto melhor do que o da instituição A. É o que temos hoje com os diferentes aplicativos que temos no celular, em que identificamos um benefício e autorizamos acesso a determinadas informações”, diz Dalmásio.

Modelo mais amplo

O Brasil aproveitou diversos aspectos de diferentes experiências internacionais. Do Reino Unido, absorveu o conceito de padrão único; da Austrália e da Índia, adotou o dispositivo de reciprocidade no compartilhamento; de Hong Kong e de Cingapura, veio a padronização de cláusulas contratuais e parceira comercial; e, por fim, do México o mecanismo de padronização técnica definida por meio de ato normativo.

“Cada país tem um objetivo diferente. No caso do Brasil, optamos pelo modelo o mais abrangente possível, incorporando todos os aspectos. Obrigamos as instituições S1 e S2, que são as maiores, e tornamos facultativo aos demais participantes, porém com reciprocidade. Considero o modelo mais abrangente e eficiente. Inclusive o Reino Unido somente agora está ampliando o conceito de open banking para open finance”, reitera Damaso.

O modelo brasileiro foi definido em quatro fases. Na primeira, relativa a abertura dos dados das próprias instituições, até abril registou 26 milhões de chamadas para consulta a essas informações. A segunda, que começa nesta quinta-feira,  prevê o compartilhamento de dados cadastrais e de transações dos clientes.

Na fase 3, o open banking se encontra com o PIX prevendo o compartilhamento de serviços e começando com a entrada dos iniciadores de pagamento. E, por fim, na fase 4, de open finance, haverá o compartilhamento de transações e a inclusão dos segmentos de seguros, investimento e previdência privada.

“Daqui a cinco nós vamos falar como pôde existir um financeiro sem o open banking; assim como imaginamos como pudemos viver sem  internet que hoje está em amplos aspectos da sociedade. O papel do Banco Central foi definir um escopo de regulamentação, prazos e a forma como vai operar mas todo o desenvolvimento e as próprias APIs vêm sendo feitas pelo próprio sistema financeiro, sob a nossa supervisão”, conclui Damaso.