Guilherme Assis, CEO Gorila                                                                                                             Foto: Divulgação

Diferente do Pix, que gerou impacto instantâneo quando foi lançado, o open banking é um processo cujos benefícios só serão percebidos pelos consumidores nos próximos dois anos, conforme Guilherme Assis, CEO da Gorila. “É preciso antes haver maturidade tecnológica do mercado para que a experiência fique boa para o usuário final e a aceleração da competição na área de investimento só ocorrerá com a simplicidade da portabilidade das aplicações, que ainda são muito burocráticas”, diz .

O movimento de juros baixos nos últimos anos está levando as pessoas a diversificarem suas aplicações, saindo da renda fixa para a renda variável. Isso tem aumentado a demanda por educação financeira no mercado de investimentos. “O open banking traz para a mesa ferramentas para o investidor final e profissionais de investimento tirarem o melhor proveito das aplicações”, observa.

Na avaliação de Assis o que interessa para o investidor no final do dia é quanto ele ganhou após pagar imposto. E a maximização dos ganhos, segundo ele, só ocorre com a diversificação da carteira de acordo com o perfil do investidor.

Fundada há seis anos, a Gorila é uma plataforma que trabalha dados transacionais de investimento, dados públicos de preço, modelagem de ativos e gera informações de portfólio, portabilidade, risco, ou seja, indicadores da carteira de qualquer investidor. Em sua plataforma rodam as aplicações B2C e B2B.

As soluções para Pessoa Física são baseadas em aplicativos mobile que permitem ao usuário entender os riscos, rentabilidade, liquidez e diversificação de suas aplicações. Atualmente, a aplicação é gratuita, mas a partir de agosto será lançada uma versão premium com mais funcionalidades que ajudará os usuários a navegar em suas carteiras de investimento.

A ferramenta B2B, seu principal produto, é voltada para escritórios de investimento, apoiando os agentes a escalar e oferecer uma melhor experiência para seus clientes. A fintech oferece também suas APIs, que são abertas, para parceiros consumirem as facilidades de motores de cálculo, portfólio e carteira de risco montadas.

Para Assis, a entrada em operação do open banking, que tem como principal função facilitar a troca de dados crus, vai fortalecer o posicionamento da fintech especializada em transformar dados crus em insights.

Verticalizar o mercado

A fintech conta hoje com mais de 400 mil clientes e a expectativa é aumentar a carteira e o engajamento do usuário com o open banking em operação. Seu propósito é oferecer uma ferramenta simples que leve informação útil para os investidores e para isso reúne todas as habilidades: “Somos uma empresa de tecnologia e não de investimentos. Nascemos com esse DNA. Mais de 40% de nossa equipe é de desenvolvedores”, diz.

A grande aflição do cliente é não entender a performance de seus investimentos. Em geral, ele compra ações e fundos imobiliários, mas não sabe se está ganhando ou perdendo dinheiro. A disciplina de investimento, segundo Assis, é essencial para o investidor ter retorno no longo prazo.

A Gorila não tem como objetivo verticalizar o mercado, ou seja, ser uma instituição que atenda o cliente ponta a ponta. Para isso estabeleceu parcerias com o banco Original, a Órama e corretores de criptomoedas do mercado biticoin. “Nosso intuito é conectar os diferentes atores do mercado para levar mais ferramentas para quem está na ponta e a isenção é o grande diferencial de nosso posicionamento”, conclui.