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Especialistas em Open Banking estão otimistas com o processo que está sendo implantado no Brasil. Em fevereiro deste ano o open banking entrou em operação no país e já movimenta o ecossistema financeiro para a implantação das novidades estabelecidas por meio de regulamentação do Banco Central, órgão que lançou e está coordenando o processo.

O órgão regulador anunciou, em 2019, a criação da chamada Agenda BC#, voltada, principalmente, para uma maior competitividade no Sistema Financeiro Nacional (SFN), a partir de ações como o lançamento do Pix e o desenvolvimento do Open Banking.

Rogério Melfi, especialista em novas plataformas na TecBan, participou nessa quarta, 11, de uma live da Inovabra Habitat, ambiente de coinovação do Bradesco, e se mostrou satisfeito com o que vem ocorrendo. “Eu vejo um bom cenário hoje e no futuro. O Brasil contava com uma concentração bancária histórica e os avanços tecnológicos e a entrada de novos players no mercado financeiro estão trazendo uma experiência benéfica, principalmente, se pensamos que quase 1/3 da população brasileira ainda é desbancarizada”, refletiu.

Na opinião de Melfi, o que está acontecendo é uma atualização de agenda necessária. “Há 30 anos, a pessoa era cliente de uma agência bancária e precisava ir pessoalmente resolver qualquer situação, seja saque, pagamento ou algum tipo de negociação. Hoje, ela é cliente do banco e realiza todas as suas transações de qualquer lugar. Com o Open Banking, será cliente do sistema financeiro nacional (SFN) e as possibilidades são inesgotáveis”, previu.

Implantação por fases

O Banco Central estabeleceu quatro etapas para a implantação definitiva do Open Banking no país. A primeira fase de implantação do sistema financeiro aberto está em andamento e os grandes bancos estão adequando suas tecnologias a fim de que possam disponibilizar informações padronizadas sobre canais de atendimento, contas de depósito à vista e operações de crédito, entre outros produtos e serviços.

É com esses dados que começarão a surgir aplicativos que comparam tarifas de contas, cartões e outros serviços, mas ainda não está disponível a possibilidade de os clientes optarem pelo compartilhamento dessas informações entre as instituições. Isso só acontecerá a partir da segunda etapa, programada para 15 de julho, quando os usuários dos bancos e das demais instituições financeiras começarão a notar de forma mais aprofundada as novidades trazidas pelo Open Banking. Isso porque, a partir dessa data, começará a ser possível pedir aos usuários a permissão de compartilhamento de seus dados.

Leonardo Grisotto, da Zaxo, especializada em M&A, que também participou da live da Inovabra, fez referência à eficiente tecnologia bancária brasileira, que acabou por atrasar um pouco o avanço para o sistema financeiro aberto. “Estávamos numa zona de conforto que durou alguns anos, onde o TED, DOC e mesmo o boleto bancário funcionavam bem. Conseguimos avançar bastante e hoje, se comparados à Europa, não estamos tão atrasados assim”, disse.

Outro ponto ressaltado por Grisotto é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que oferece a base legal para que os dados dos titulares possam ser compartilhados entre as instituições financeiras com segurança jurídica. “É um importante marco da evolução do ambiente regulatório e, consequentemente, um exemplo de medida favorável à implantação do Open Banking e outras inovações no SFN”, afirmou.

Tecnologia + adoção

Albert Morales, diretor-geral da Belvo, também participante da live, comparou os benefícios do Open Banking e a sua utilização com o que aconteceu na internet. “A internet sozinha não faz nada. Ela só tomou a proporção atual porque universidades, empresas e pessoas passaram a utilizá-la de inúmeras formas. Com o Open Banking será igual, a adoção por parte das pessoas é fundamental para o potencial de crescimento”, sentenciou.

Para Morales, a vantagem brasileira é ter uma população jovem e com boa digitalização entre os adultos, o que facilita a democratização do Open Banking.  “Se o usuário em potencial não percebe o valor da tecnologia, ela não pode ajudá-lo. O Open Banking terá a sua evolução e o cruzamento com outras tecnologias, como o blockchain e a inteligência artificial, vai permitir coisas que hoje a gente nem imagina”, acredita Morales.

A terceira fase do sistema está prevista para 30 de agosto, com o início de serviços de pagamentos e de encaminhamento de propostas de crédito. E a quarta fase, para 15 de dezembro, com a ampliação de produtos e serviços financeiros integrados na infraestrutura do open banking, operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta, entre outros.