Carlos Carneiro, Head de Estratégia de Open Finance e Pagamentos Instantâneos do Itaú - Foto: Divulgação

Carlos Carneiro, Head de Estratégia de Open Finance e Pagamentos Instantâneos do Itaú – Foto: Divulgação

De acordo com dados de junho do Banco Central o mercado de crédito no Brasil soma R$ 4,2 trilhões, mas ainda representa apena 53% do Produto interno Bruto (PIB), chegando até a 64% quando se consideram o crédito às empresas. Esse volume e percentual estão muito abaixo de países como EUA, onde a relação crédito/PIB é de 200% ou do Japão que chega a 170%. Os dados foram apresentados durante o Digital Money Meeting, no painel da tarde desta quarta-feira, 25, que discutiu o Mercado de Crédito no Brasil e as estratégias de diferentes instituições financeiras para oferecer mais recursos a diferentes públicos.

“De fato temos um espaço enorme para o mercado de crédito crescer e a agenda de Open Finance tem tudo a ver com isso. É uma oportunidade gigantesca com este novo cenário”, resumiu Carlos Carneiro, head de estratégia de Open Finance e Pagamentos Instantâneos do Itaú-Unibanco.

Mudanças institucionais

Flávio Esteves Calife, Economista responsável pela área de Estudos Econômicos e Inteligência de Mercado da Boa Vista - Foto: Divulgação

Flávio Esteves Calife, Economista responsável pela área de Estudos Econômicos e Inteligência de Mercado da Boa Vista – Foto: Divulgação

Flávio Esteves Calife, economista responsável pela área de estudos econômicos e inteligência de mercado da Boa Vista, destacou que estamos passando por um momento importante de mudanças institucionais que vão permitir elevar a relação dívida/PIB. As mudanças vão permitir que o mercado seja mais confiável e com menos riscos. Ele observa que antes havia apenas a preocupação das garantias para os credores, mas agora há a oportunidade de compartilhamento de informação que permitirá redução dos riscos e dos custos.

“A inadimplência no Brasil, apesar baixa, ainda é alta em relação a outros países. Não é problema o endividamento, apenas quando ele compromete uma parcela relevante da renda e pode gerar inadimplência. Há muitos períodos da história em que a inadimplência caiu. Se quisermos que o limite a proporção de crédito cresça, naturalmente vai crescer mais que a renda e o endividamento vai aumentar e isso não é necessariamente ruim. Nos países desenvolvidos o comprometimento da renda é de 14%, no Brasil é mais de 25%. Na pessoa jurídica chega a 40%”, afirmou Calife.

Ele observou que o Banco Central iniciou em 2016 a Agenda BC+ visando a reduzir o spread, que é formado por custos e riscos. Para isso aumentou a concorrência,  apoiado as fintechs. O BC também estimulou o Cadastro Positivo e ações para reduzir a inadimplência. “Aparentemente o caminho que estamos tomando é positivo. Cada vez mais vamos compartilhar informações, reduzir a contração e criar novo produtos”, destacou Calife.

Carlos Carneiro, do Itaú, afirmou que a concorrência  é o que faz as empresas se mexerem, que devem ter como foco  como atender melhor as necessidades do cliente. As  três principais agendas: Cadastro Positivo, PIX e Open Finance estão relacionadas com a Agenda BC+. “Aumentar a concorrência e reduzir o custo de crédito da população é um caminho certo”, disse.

“O efeito direto da concorrência é atender o cliente com produtos mais adequados. Mas de nada adianta atrelar o crédito a uma boa garantia se a pessoa não estiver tomando um crédito adequado, para evitar a inadimplência. Outro aspecto é a bancarização. Essas agendas sinalizam uma redução de custos grande para o mercado. Com o saque PIX vamos eliminar o custo de gestão de numerário”, destaca Carneiro.