Open Finance: Itaú foca na gestão financeira e iniciação de pagamentos - Crédito: DMM

Crédito: DMM

O Itaú já trabalha com dois focos para a oferta de produtos e serviços aos clientes a partir do Open Finance: a gestão financeira e a iniciação de pagamentos. A informação foi repassada pela superintendente de Cash e Open Finance do Itaú Unibanco, Ana Paula Ceerchiari, no painel ‘Desenvolvimento de Projetos no Open Finance’, no Digital Money Meeting, congresso virtual promovido pela Momento Editorial.

Segundo Ana Paula, o Open Finance vai ampliar a concorrência e a competição no mercado, o que o banco não vê como negativo, uma vez que traz motivação. “O nosso objetivo é superar as expectativas dos clientes, numa agenda de competição, mas também de colaboração. Soluções podem ser trabalhadas internamente e também a partir de parcerias com outros players”, afirmou.

“Aquelas empresas que conseguirem entender os dados compartilhados pelos clientes para oferecer produtos e serviços que atendam às suas necessidades vão, realmente, ter sucesso”, ressaltou.

No curto prazo, o Itaú investe em oferecer uma gestão financeira eficiente aos clientes, uma vez que, a partir do compartilhamento de dados, será possível conhecer, de fato, a sua vida financeira. “Para a pessoa física já temos o “Minhas Finanças”, que poderá sempre ser aperfeiçoado, e para a pessoa jurídica estamos trabalhando com um piloto com 10 mil clientes usando as soluções já desenvolvidas”, revelou a executiva.

A iniciação de pagamentos é o segundo foco do Itaú. Segundo Ana Paula, é o que vai melhorar a vida do cliente, que não precisará pular de aplicativos e sites para concluir uma compra ou pagamento. “O uso dos dados compartilhados servirá para melhorar ofertas, preços e experiências”, sintetizou.

Crédito é desafiador

A melhoria no crédito é vista como o maior desafio do Open Finance para Raul Moreira, Coordenador do Comitê de Inovação do Banco Original, que também participou do painel. “Quando temos acesso aos números do endividamento dos brasileiros, chegamos à conclusão de que a oferta do crédito no país é imperfeita, muitas vezes concedida de forma errada. Precisamos nos dedicar a esse processo para entregar uma melhoria do crédito ao consumidor. Só assim a sociedade vai perceber mais rapidamente os benefícios que pode obter a partir do mercado financeiro aberto”, analisou.

Para Raul, a transformação digital está em processo e o Open Finance é um instrumento, uma estrada. “As mudanças estão acontecendo em uma série de dimensões e só estamos começando. Como vamos tratar a informação que nos chega? Como vamos tratar a comunicação com o usuário? Internamente, essa é uma mudança em toda a estratégia de marketing da organização, profunda, gradual e sem volta”, sentenciou.

Raul Moreira acredita que o atual momento do mercado financeiro reúne três forças: uma regulação mais moderna, que leva à competição e à inovação; o novo consumidor, que busca melhores experiências em sua jornada; e a evolução tecnológica, cada vez mais profunda e disruptiva.

Infraestrutura

O cronograma de implementação do Open Banking, hoje Open Finance, foi apertado. O próprio diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso, reconheceu, ao participar ontem do Digital Money Meeting, que os prazos foram curtos, considerando a amplitude do programa.

As instituições financeiras estão passando por uma revolução tecnológica para se adequarem aos requisitos e aproveitar as oportunidades do Open Finance. O movimento, que teve início com o compartilhamento dos dados bancários dos clientes no Open Banking, agora avança para todo o sistema financeiro.

Ana Luiza Castro, Diretora de Estratégia de Open Finance da Belvo, plataforma de APIs de Open Finance, também presente ao painel do Digital Money Meeting, fez uma analogia ao afirmar que a revolução atual do mercado financeiro não é uma corrida de 100 metros rasos e sim uma maratona, com algumas dificuldades.

“Na prática, não é tão fácil identificar as necessidades do cliente a partir dos dados compartilhados. É preciso ferramentas de inteligência artificial, machine learning, a tecnologia tem um papel fundamental nesse processo”, afirma Ana Castro.

Também pensando na infraestrutura do mercado financeiro aberto, Fernando Tassin, Gerente Meios de Pagamentos na TecBan, defende as parcerias. “Aquele concorrente que era visto como inimigo hoje é parceiro, nossa ideia é buscar parcerias. Estamos vivendo um movimento open global, com menos intermediários para o cliente resolver as suas dores, temos um mar de possibilidades para novos entrantes e não podemos trabalhar sozinhos”, ressaltou.