Open Finance: o negócio é o investidor-Crédito: Freepik

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Além de confiar no sistema financeiro, a sociedade brasileira mostrou-se receptiva ao Open Finance, conforme constata o recém-estudo realizado pela consultoria EY. A pesquisa mostra que 83% dos consumidores de serviços financeiros no país esperam que suas instituições abram as plataformas para que consigam consumir produtos de diversos lugares, enquanto apenas 58% dos ingleses demonstraram entusiasmo com a abertura, disse Rafael Schur, sócio da EY, durante o Anbima Summit.

O Open Investment, que entrará em fase de implementação pelo Banco Central a partir de dezembro deste ano, vem promover a entrada de produtos e serviços inusitados, como ofertas de crédito em cima de carteira de investimento para otimização tributária, por exemplo.

O grande desafio dessa nova plataforma é aliar segurança à experiência do usuário para que o fluxo de dados, o engajamento do consumidor, a nova regulação e os integrantes do ecossistema consigam conviver e trocar informações de forma segura, afirmou Guilherme Horn, diretor de estratégia do banco BV, participante do painel Open Investment.

“Em um mercado cada vez mais competitivo, onde o consumidor não distingue setores de atuação, exigindo de um  mercado regulado como o bancário a mesma experiência de um player de música, garantir a segurança das operações sem prejudicar a experiência do usuário é o grande desafio das organizações financeiras no momento”, afirma Guilherme Horn, diretor de estratégia do banco BV.

Jornada do consumidor

Na opinião do co-fundador do Gorila, fintech de investimentos, o Open Investment vem de fato colocar o cliente no centro da jornada e a competição entre as instituições financeiras passa a se basear na experiência do cliente.

“Para o investidor o que importa no final do dia é a rentabilidade, independentemente de onde esteja seu investimento. É importante as instituições entenderem o processo como um todo para então sugerir investimentos personalizados e oferecer ferramentas que tornem a experiência do cliente diferenciada.”

O Open Finance promete mais competitividade ao mercado financeiro e mudança no comportamento do investidor. A expectativa de especialistas é que o processo de compra do varejo, que saiu do físico e migrou para o e-commerce durante o período da pandemia, chegue ao mundo do investimento.

“Quando o consumidor faz uma compra pelo e-commerce, a experiência é uma parte a ser considerada, é aí que as plataformas digitais começam a se diferenciar. Esse movimento vai ser muito similar no mudo dos investimentos e novos player vão surgir para entregar essa nova jornada para os clientes”, observa Assis.

Segurança é mandatória

A segurança foi um dos pontos que mereceu destaque no painel. Afinal em um ecossistema com muitos players conectados, a segurança torna-se um fator relevante, pois uma falha na transmissão de dados ou de pagamentos vai impactar todos envolvidos naquela operação.

Os bancos sempre se preocuparam muito com a segurança da informação dos clientes, especialmente, com o aumento de ciberataques. “Porém, perder a credibilidade nesse processo é perder todo o benefício que o Open Finance trará para o investidor”, alertou Luciane Effting, head de distribuição do banco Santander.