Rubem Minatogaw, diretor sênior de customer experience para Oracle América Latina - Crédito: Divulgação

Rubem Minatogaw, diretor sênior de customer experience para Oracle América Latina – Crédito: Divulgação

A Oracle está aumentando seus recursos e dobrando as parcerias estratégicas para dar um suporte a startups no Brasil e na América Latina por meio de seu programa Oracle para Startups. O programa começou em 2017 inicialmente como aceleradora e espaços de coworking em São Paulo (Brasil), e depois expandiu-se para uma versão virtual, em 2019, e para toda a América Latina.

Rubem Minatogawa, diretor sênior de customer experience para Oracle América Latina, diz que o programa também permite criar expertise nas soluções Oracle que têm o poder de alavancar os pequenos negócios. Sua área cuida da divisão de aplicativos que não são o ERP e tem sido diretamente impactada pela transformação cultural porque passa a empresa rumo ao modelo de serviços. Nesta entrevista ele fala dos desafios da mudança e sobre as soluções para as verticais de finanças, varejo e seguros focadas na melhoria da experiência do consumidor.

DMI: Como tem sido a virada para o modelo de serviços?

Rubem: Nos últimos quatro anos, a Oracle fez a guinada para o modelo de serviços que afeta inclusive como criamos valores alinhados com o que buscamos de cultura. Temos produtos muito fortes como o banco de dados e o servidor de banco de dados exadata e é um desafio nos desvincularmos dessa imagem e partir para o modelo de serviços, que exige um nível de alinhamento e de confiança ao longo do contrato inteiro com o cliente.

O próximo passo é ser uma organização focada nos clientes. Temos três pilares principais em termos de indústria: o core financeiro, o core de varejo e a parte de telecomunicações, além de manufatura e energia. Temos aplicativo para o espectro completo de indústrias, mas para essas verticais temos produto específicos, como market cloud, e-commerce, CRM.

DMI: Que tipo de produto a Oracle oferece para a área financeira?

Rubem: Para finanças temos produtos voltados para a interação com o cliente, baseadas em inteligência artificial e machine learning. Elas trazem um nível de segmentação de audiência de tal forma que conseguimos customizar qualquer tipo de relação com esse consumidor. Conseguimos adequar qual a melhor abordagem.  O Banco BMG usa nosso Responsys, uma ferramenta de marketing digital para gestão de campanhas. Junto com o Resposys podemos colocar um Maximizer, que permite customização da página de interação com o cliente. O cliente pode estar num momento de vida em que busca um seguro, ou uma poupança para a faculdade do filho, e podemos criar campanhas direcionadas para isso.

DMI: Como tem sido a demanda nos setores de finanças, varejo e seguros?

Rubem: Os três segmentos vivem transformações profundas. As soluções de costumer experience que estavam entre os top dez de preocupação do C level no período pré-pandemia, hoje estão no top três. Eles estruturam a empresa para conquistar novos clientes e manter os atuais de uma maneira que torne a relação digital mais genuína. Para isso é preciso ter um conhecimento profundo do comportamento da pessoa de forma que você possa ser relevante para ela. O grande desafio é como conecta os dados que tem dentro de casa para gerar informações e decisões de negócio alinhadas ao desafios de manter a base e conquistar novo clientes.

DMI: Os grandes bancos não abrem  mão do desenvolvimento próprio do core bancário e os neobanks e fintechs nativos digitais contratam plataformas de bank as a service. O quanto isso é desafiador para uma empresa como a Oracle, de grandes softwares de gestão?

Rubem: Isso foi o que nos levou a deixar de ser uma empresa de produto para ser uma empresa de serviços e soluções. Uma das decisões mais acertadas foi levar o portfólio inteiro de soluções para a nuvem. Temos um barramento, o Fusion, que atua como um integrador de todas as soluções. Se uma fintech no Nordeste ou no Centro Oeste precisar de uma ferramenta para fazer push de comunicação não precisa comprar o espectro inteiro e nem levar três anos para implementar. Essa empresas evoluem tanto na estratégia que podem precisar do módulo de ERP, mas não precisar comprar o ERP completo, o mesmo é válido para o e-commerce. Com isso a empresa pode ter um parceiro de tecnologia desde o início de seu ciclo de vida, até o momento de maior maturidade econômica. Sem precisar fazer o redesenho de sua arquitetura. Isso serve tanto para um banco gigantesco como uma empresa que está começando agora. A Oracle não deixou de ser a empresa que tem a fortaleza de dados, mas trouxe essa fortaleza do mundo tradicional para o ambiente cloud.

DMI: A Oracle tem o perfil de uma empresa de softwares complexos para grandes empresas. Qual a abordagem para PMEs, startups e fintechs?

Rubem: Com a Oracle elas têm a possibilidade de usar 50 anos de expertise em dados e infraestrutura em benefício do seu negócio, pensando nos desafios atuais e no crescimento futuro. Com produtos e soluções as a service podemos acelerar a estratégia de go to market e principalmente, com o mesmo produto que operamos nas maiores empresas do mundo. O que a gente faz é adequar o tamanho da arquitetura em nosso ambiente de SaaS.

DMI: Mas vocês conseguem ser competitivos em preço? Há algum tipo de programa que possa atender esse segmento que um ia pode virar grandes empresas como o Nubank?

Rubem: Não só temos preço, como temos programas especiais para essas empresas. A Oracle tem um ecossistema de startups dentro de casa. E temos interesse pela própria responsabilidade, como empresa de tecnologia, de desenvolver esse mercado. Temos de garantir que as empresas que estão começando tenham chances de mostrar o potencial do seu trabalho. O programa é contínuo e há um time dedicado que avalia as propostas. O que nos interessa são boas ideias e fazemos uma alavancagem dessas empresas com a nossa tecnologia. A Oracle é uma empresa que busca fazer parte do desenvolvimento do ecossistema.