Lucas Areias, head de comercial B2B da Órama

A Comissão de Valores Mobiliários lança nos próximos dias audiência pública da norma que regulamentará o novo regime de agentes autônomos de investimento. Entre as alterações pode vir a proposta para o fim a exclusividade desses agentes. Hoje as maiores corretoras e bancos travam uma acirrada disputa de rouba-monte pela conquista dos agentes autônomos. Na outra ponta, a Órama defende o fim da exclusividade, o que seria fundamental para o incremento das atividades B2B da corretora, que conta com 150 agentes autônomos na plataforma.

“Defendemos o fim da exclusividade desde o início do projeto B2B, em 2015, porque entendemos que qualquer concorrência é benéfica para o cliente que é o que mais importa”, diz Lucas Areias, head de comercial B2B da Órama.

Ele argumenta que hoje com a exclusividade para a comercialização de valores mobiliários, por mais que o agente autônomo entenda que uma corretora seja boa para uma operação de Bovespa e outra para outro tipo de valor mobiliário, não consegue oferecer a melhor opção. “Um de nossos pilares é a valorização do parceiro e temos nos posicionado mais como uma empresa de tecnologia e produtos financeiros para ele”, diz Areias.

Entre os que são a favor da exclusividade estão as empresas com maior concentração de mercado. O principal argumento é de que a exclusividade permite um maior controle da atividade do agente autônomo. Areias discorda, defendendo que, como cada corretora tem seu próprio modelo de auditoria, ao atender a várias corretoras, o agente seria muito mais auditável e com compliance do que somente com uma empresa.

“Com o fim da exclusividade, as corretoras vão passar a brigar pelo melhor serviço. A Órama está sempre atenta a oportunidades e não acreditamos apenas na competição financeira como XP e BTG. Conseguimos conquistar pelo posicionamento. O modelo de negócio White Label permite que o cliente se enxergue como cliente do parceiro e não da Órama. Fomos um dos patrocinadores dos AI Livres, associação dos Assessores de Investimentos que nasceu me 2019 para defender o fim da exclusividade.”, diz Areias.

Rafaela Nissenbaum, sócia e COO da Órama.

Com R$ 13,5 bilhões sob custódia, a Órama está completando dez anos com 550 funcionários. Entre os acionistas estão o grupo Globo, com 20% e a SulAmérica, com 25%, com o restante cabendo aos fundadores Habib Nascif Neto, Selmo Nissenbaum e Roberto Campos Rocha e outros sócios que integram a diretoria. Recentemente, a empresa desistiu de buscar uma capitalização de R$ 500 milhões por não ter encontrado condições favoráveis, mas obteve em contrapartida um aporte de R$ 100 milhões dos sócios atuais. A corretora também não descarta um IPO num futuro próximo.

“Optamos por pausar a rodada de capitalização por entendermos que havia muita coisa acontecendo e consumindo a nossa energia e fizemos uma captação com os próprios sócios para focar nos próximos passos. Quanto ao IPO, estamos neste caminho e devemos ter mais um sócio entrando no time, trazendo não apenas recursos financeiros, mas também sinergias como as que tivemos com a Globo, na parte de mídia, e a SulAmérica, que tem 35 mil corretores. Esse sócio também nos ajudará na preparação para o IPO”, sinaliza Rafaela Nissenbaum, sócia e COO da Órama.

Novo modelo

A Órama já nasceu digital e focada no B2C. Agora, parte dos R$ 100 milhões aportados pelos sócios atuais estão sendo utilizados na estruturação do novo modelo de negócio focado em tecnologia com o Órama Impulse. Rafaela diz que é uma evolução do B2B que surgiu em 2015 com a nossa plataforma White Label. A ideia é prover a infraestrutura tecnológica ao parceiro junto com a expertise da corretora para que ele possa oferecer investimentos para seus clientes.

Hoje há dois modelos de parceria. Os parceiros podem se plugar nas APIs de serviços oferecidos pela Órama. A empresa já tem 3 mil parceiros neste modelo, entre agentes autônomos, gestores de carteira administrados e ONGs como Médicos Sem Fronteira e S.O.S Mata Atlântica. Já no novo modelo mais sofisticado do Órama Impulse, a Órama entra com a infraestrutura de Investment as a Service. Por enquanto já foram fechados três contratos. O primeiro é com o banco AGI, que está se posicionando como um app de banco digital e marketplace.

Por ser uma DTVM, a Órama não é iniciador de pagamentos, e pela regulamentação vigente, não é obrigada a aderir ao Open Banking. Pode aderir, mas não é uma obrigação.

“Estamos estudando. Agora buscamos uma licença do Banco Central para poder oferecer serviços de banking como cartão de crédito e Pix. Desde o início pensamos e ser uma plataforma plena. Começamos com fundos, depois renda fixa, previdência, renda variável e agora entendemos que a parte de banking é a próxima etapa”, diz a COO.

A empresa também tem duas operações voltadas para o segmento de alta renda. Além da gestora de recursos OGR, a empresa conta com a recém-criada Órama Singular, que tem dois braços principais: um multi family office e a incubação de gestores que já foram de outras casas e não querem criar toda a parte de backoffice e compliance. Ao todo área de alta renda reúne patrimônio de R$ 500 milhões.