Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Itaú Unibanco, que processa 20% das folhas de pagamento do mercado no país, estima que o Brasil sairá da pandemia mais desigual do que entrou. “Os números mostram que o emprego formal voltou, enquanto o desemprego no setor informal evolui e é algo que temos que lidar”, afirma Mário Mesquita, economista chefe do Itaú Unibanco, durante live realizada hoje.

De acordo com projeções do banco, o PIB deverá crescer 5,7% este ano e apenas 1,5% em 2022. O grande risco a ser enfrentado ainda este ano, conforme o economista, diz respeito ao racionamento de energia elétrica, uma vez que a variante delta por enquanto tem se mostrado aparentemente sob controle, com exceção dos casos ocorridos no Rio de Janeiro.

“Vemos uma recuperação forte da economia este ano e um crescimento mais modesto em 2022, mas também uma redução da inflação para cerca de 4% com o Banco Central começando a debelar esse surto inflacionário”, diz.

Na sua opinião, a política fiscal e a monetária vão operar com o pé no freio no próximo ano em relação a 2021. “O setor externo também não deverá ajudar muito. O mundo este ano está crescendo bastante com a recuperação da pandemia, mas após a normalização da atividade econômica, voltará a sua tendência de crescimento e deixará de impulsionar tanto a atividade no país”, diz Mesquita.

Os números fiscais no curto prazo, segundo ele, não estão tão complicados. A tensão do mercado com a questão fiscal diz mais respeito ao arcabouço da política fiscal do que qualquer outra coisa.

A alta de preços de matéria prima, alguns gargalos de produção do setor eletroeletrônico e automotivo e o risco da falta de energia têm sido uma restrição à oferta, segundo Mesquita. “Isso tudo tem contribuído para uma inflação elevada, superior a 9%. A gente até acha que deverá cair para quase 7% até o final do ano, que ainda é um índice bem elevado e bem superior à meta perseguida pelo BC”, observa.

De acordo com o economista, a expectativa de mercado para os próximos dois anos está em linha com a meta do BC que é 3,25%, em 2023. O mercado espera que a inflação caia porque o BC está subindo a taxa de juros agora e acha que vai continuar levar a Selic até 7,5% no final deste ano.